domingo, 7 de Fevereiro de 2010

Barulho da Semana #75

Northern Portrait - Criminal Art Lovers [2010; Matinée]

myspacesite

Género: Pop/Rock
Origem: Dinamarca
Parecido com: The Smiths, Echo & The Bunnymen, The Pains of Being Pure at Heart
Faixas em destaque: Crazy,Criminal Art Lovers, New Favourite Moment



O regresso dos Smiths está marcado para o ano de 2010 e dá pelo nome de Northern Portrait. Não são os Smiths em carne e osso, mas são os Smiths com a guitarra do Johnny Marr e o jeitinho gay de projectar a voz de Morrisey. Northern Portrait estudaram muito bem a lição (mesmo não admitindo serem influenciados desde o início pelos Smiths), estão aqui todos os ensinamentos de Morrisey no que toca a interpretação vocal e a técnica de guitarra de Johnny Marr. Só faltam mesmo as letras, mas isso já era pedir demais.
E esta citação descarada é má? Não propriamente, citar bandas desta qualidade e da forma como é feita não é fácil,e não é todos os dias aparece uma banda assim. É de louvar que alguém o consiga com tamanha distinção, pois é muito difícil hoje em dia ser-se totalmente original. Já nos anos 60 os The Jam citavam o Revolver no seu Sound Affects.
O disco balanceia pop do inicio ao fim: "Crazy" com viola acústica de fundo abraça momentos de loucura de juventude; "Criminal Art Lovers" traz aquele pensamento à cabeça "onde será que já ouvi isto?", em que, sim, são esses mesmos de que se já falou aqui; "New Favourite Moment" fecha o álbum em beleza com um riff de guitarra perfeito para fazer abanar a anca e pedir por mais.
Primeiro álbum muito bem conseguido, destinado não só a amantes de Smiths, mas também a outros de música pop com qualidade em geral.

Afinal

Afinal a jovem menina que protagonizou a bela desgarrada com Ana Moura no concerto de Sexta é já fadista e dá pelo nome de Isilda Miranda. Por sua vez, a mesma vai dar um espectáculo no Theatro Circo no dia 7 de Março pelas 16:00 pelo preço simbólico de 2.50€. Será uma oportunidade de ver de perto um  novo prodígio do fado de apenas 15 anos de idade. O vídeo abaixo é uma versão de "Buzios", a tal da desgarrada.

Versões acústicas variadas com uma bela paisagem de fundo





sábado, 6 de Fevereiro de 2010

Ana Moura @ Theatro Circo, 05/02/2010

Em mais um concerto de Ana Moura por terras lusas, e em vésperas de iniciar uma tournée pela Europa e EUA, o Theatro Circo e a cidade de Braga não a deixaram ficar mal, e propuseram-lhe uma casa cheia, para seu gáudio.
Com uma média de idades a rondar os 50 anos (os mais jovens têm que começar a abrir horizontes), era um publico que aparentemente se previa exigente e na qual as expectativas depositadas na artista em questão eram bastante elevadas.
A entrada em palco fez-se nos seus conformes habituais, com a entrada em primeiro lugar dos guitarristas, para posteriormente Ana Moura espalhar a sua sensualidade pelo palco. O seu primeiro vestido era espelho da sua personalidade não tão conservadora do fado, justo ao corpo e a realçar as formas, com uns brilhantes dignos de um espectáculo pop. Numa primeira parte mais fria e introspectiva, foi dado mais relevo ao último álbum editado Leva-me aos Fados. A cabeça da artista manteve-se baixa, mercê dos seus fados tradicionais, isto é, fados que obdecem a uma estrutura clássica de letra, ao qual é acrescentada uma melodia. Destaque para a interpretação em "Por Minha Conta", majestosa.
Na segunda parte, por seu lado, foram tocados mais fados musicados, no qual a partir de uma melodia pré-estabelecida lhe foi acrescentada uma letra. Ana Moura confidenciou que este álbum tem o seu toque pessoal, sendo que a melodia de "Que Dizer de Nós" é de sua pertença. A comunicação com o publico foi agradável, revelando já ter alguns anos disto.
Este fado não é triste nem envelhecido, é fado que em certos momentos se aproxima do formato canção, e que de aborrecido nada tem: "Rumo Ao Sul" foi uma das canções da noite (acho que se pode designar assim mesmo). Os músicos estiveram mais que à altura, um quarteto de cordas que mostrou que nem só de grandes fadistas cantores se fazem bons fados.
Na recta final houve ainda tempo para uma versão feita para os Rolling Stones, "No Expectations", incluída numa compilação de world music com musicas dos próprios, que demonstrou a grande versatilidade da cantora. Seguiram-se momentos mais descontraídos numa desgarrada com uma jovem menina que demonstrou ter muita alma na garganta, e o guarda redes Eduardo do Braga e da selecção nacional, que também pode dar o ar da sua graça nos "Búzios", que mostrou estar muito bem na profissão que escolheu.
O som vacilou um pouco no agudos, mas a hora e um quarto de concerto proporcionada abafou qualquer problema que pudesse ter existido. Foi um concerto sublime de Ana Moura, provavelmente a melhor fadista portuguesa da actualidade.

segunda-feira, 1 de Fevereiro de 2010

Mas que bela prenda




Depois do brilhante concerto no Paredes de Coura 2007, que soube a pouco, Sonic Youth regressam a Portugal em dose dupla para agradar a todos os fregueses.

COLISEU LISBOA (22 DE ABRIL)
PLATEIA EM PÉ * 26,00 EUROS
CAMAROTE 1ª (FRENTE) * 30,00 EUROS
CAMAROTE 1ª (LADO) * 28,00 EUROS
CAMAROTE 2ª (FRENTE) * 28,00 EUROS
CAMAROTE 2ª (LADO) * 26,00 EUROS

COLISEU PORTO (23 DE ABRIL)

PLATEIA EM PÉ * 26,00 EUROS
TRIBUNA * 30,00 EUROS


Setlist do concerto de 10 de Janeiro no The Filmore em San Francisco, EUA:

1. No Way
2. Sacred Trickster
3. Calming The Snake
4. Hey Joni
5. Anti-Orgasm
6. Poison Arrow
7. Walkin Blue
8. Stereo Sanctity
9. Malibu Gas Station
10. Antenna Play Video
11. Leaky Lifeboat (For Gregory Corso)
12. What We Know
13. Massage The History
Encore:
14. The Sprawl
15. 'Cross The Breeze
Encore 2:
16. Shadow Of A Doubt
17. Death Valley '69

A julgar por esta setlist acima será possível sentir um bocadinho daquele pedaço de música que marcou para sempre a história do rock alternativo: Daydream Nation.

1 de Fevereiro

domingo, 31 de Janeiro de 2010

Barulho da Semana #74

Beach House - Teen Dream [2010; Sub Pop]

myspace | vídeo | site

Género: Dream Pop/Shoegaze
Origem: EUA
Parecido com: Galaxie 500, Mazzy Star, Slowdive, The Radio Dept.
Faixas em destaque: Norway, Walk In The Park, Take Care


Ao 3º álbum de originais, os Beach House terminaram a sua procura por inspiração em bandas de shoegaze e dream pop dos anos 90, e atingiram a sua maturação. Com Teen Dream os Beach House encontraram a sua casa de praia de sonho, para se poderem estabelecer. Descolaram-se das suas referências, para tentarem serem eles a referência dream pop destes novos anos 10.
Com uma produção a cargo de Chris Coady, responsável por álbuns de bandas como Yeah Yeah Yeahs, TV on the Radio ou Grizzly Bear e editado através da Sub Pop, Teen Dream é o álbum mais bem imaginado e apoiado até à data. Pensado ainda em estrada, aquando da tournée bem sucedida do Devotion, nada neste álbum parece ter sido feita ao acaso. Não incorreram tanto no truque das guitarras slide, que já estava a ficar bastante gasto, e optaram por um disco mais completo, tanto a nível de letras como a nível de instrumentos. O minimal já era. 
Uma das tarefas mais complicadas neste álbum é o da escolha de um single. Pois todo ele é feito de singles, não havendo nenhuma que se evidencie especialmente. Comece-se com "Zebra", a introdução do álbum que indicia desde logo uma ligeira mudança de sonoridade, onde a alma da banda é sentida com mais força patente no refrão: "Any way you run, you run before us/ Black and white horse arching among us"; "Silver Soul" ganhou uma outra vida depois do lançamento do video, pois à memória aparecem sempre aquelas senhoras de dourados com os seu hula hoops; Rumo a "Norway", faz com que qualquer um, mesmo não gostando da dita cidade se esforce por gritar por ela; Em "Walk In The Park" aparece o solo de guitarra simples e perfeito, como que saído de um conto de fadas; "Used To Be" e "10 Mile Stereo" é a aposta dos Beach House na percussão e momentos shoegaze para mais tarde recordar; a fechar temos a compenetrante "Real Love" e a apaixonada "Take Care" onde a voz de Victoria Legrand é posta a nú, voz grave e ressoadora, encarnando uma mistura de Cat Power dos últimos tempos com Kate Bush de Hounds of Love.
Beach House fizeram em Teen Dream o seu álbum de sonho, e tudo será diferente daqui para a frente.

quinta-feira, 28 de Janeiro de 2010

Ópera das facas



The Knife, o duo Sueco muito conhecido por uma electrónica muito pouco convencional, estão para lançar no mercado digital a 2 de Fevereiro uma ópera baseada no famoso livro de Charles Darwin - "A origem das espécies". Em baixo segue o álbum que foi disponibilizado em streaming.



Para mais detalhes sobre esta obra, ver aqui.

Novas de Panda Bear (actualizado, ver em baixo)

Panda Bear já anda a espalhar o cheirinho do novo álbum que está para chegar este ano. Em baixo seguem duas novas músicas gravadas ao vivo e ainda sem titulo, que os lisboetas e outros mais aventureiros poderão ver dia 12 de Fevereiro no Lux. A segunda faixa parece trazer a imagem de um imperador a comandar o seu exército.



Segundo o blog gorilla vs. bear, está confirmado o novo álbum a ser editado possivelmente em Setembro pela Paw Tracks e terá o nome de TOMBOY.

quarta-feira, 27 de Janeiro de 2010

Pela primeira vez em Portugal e directamente para os Coliseus: Grizzly Bear!



O quarteto de Brooklyn que detém as melhores harmonias vocais dos últimos tempos vem a Portugal, para uma dupla apresentação do seu último e muito aclamado álbum - Veckatimest. Ver aqui a crítica ao álbum.

Coliseu de Lisboa, dia 26 de Maio
Cadeira de Orquestra: 40€
1ª Plateia: 35€
2ª Plateia: 32,5€
Balcão: 28€

Coliseu do Porto, dia 27 de Maio
Cadeira de Orquestra: 35€
Tribuna: 30€
1ª Plateia: 30€
2ª Plateia: 25€

Provavelmente, a melhor música deles:



A do anúncio também é boa, mas esta é do Yellow House, segundo álbum dos Grizzly Bear e que pouca gente deve conhecer.

terça-feira, 26 de Janeiro de 2010

É favor não arrastar o caixão do Úria

Esqueleto fantasma

Novo single dos nova-iorquinos Yeah Yeah Yeahs - "Skeletons". O vídeo foi dirigido pelo namorado de Karen O, Barney Clay.

              

Sundance com eles

Animal Collective, em parceria com o colaborador de longa data Danny Perez, produziram um trabalho denominado ODDSAC, um filme experimental e psicadélico com música a cargo dos próprios Animal Collective, ao que eles denominaram como sendo um álbum visual. O filme levou mais de dois anos a fazer e começa hoje a ser mostrado no festival de cinema de Sundance. Em baixo segue o trailer.



Ver aqui as reacções.

Caribou vai surpreender

Está marcado para 19 de Abril o lançamento do novo álbum de Caribou. O álbum intitular-se-á Swim e promete grandes mudanças: "Odessa", a faixa de abertura do álbum já é conhecida, e de dream-pop-psicadélico tem muito pouco ou nada. A electrónica está lá, mas desta feita para jogar uma vertente mais dançável e acessível ao ouvido. Numa recente entrevista dada à pitchfork, Dan Snaith está entusiasmado com a ideia do álbum ser mais dançável e de fazer musica como se de água tratasse, sem os apetrechamentos existentes na actual musica de dança. O álbum contará com a presença de um quarteto de free-jazz de Toronto.

Alinhamento:
01 "Odessa"
02 "Sun"
03 "Kaili"
04 "Found Out"
05 "Bowls"
06 "Leave House"

07 "Hannibal"

08 "Lalibela"
09 "Jamelia"




O single também pode ser tirado gratuitamente daqui.

Teen Dream aos círculos

"Silver Soul" é primeiro single retirado de Teen Dream. O vídeo foi dirigido pela própria vocalista - Victoria Legrand. Hula hoops e dourados com bom gosto:




O álbum estará à venda a partir de hoje e irá trazer um dvd contendo um clip de vídeo diferente para cada música.

segunda-feira, 25 de Janeiro de 2010

Está aberta a semana Beach House



Apresentação ao vivo do novo álbum dos Beach House: Teen Dream.

domingo, 24 de Janeiro de 2010

Barulho da Semana #73


Vampire Weekend - Contra [2010; XL]

myspace | vídeo | site

Género: Pop/Afro-beat/Electronic
Origem: EUA
Parecido com: The Dirty Projectors, Paul Simon, Peter Gabriel
Faixas em destaque: White Sky, Cousins, Diplomat's Son


A altura de lançamento de um segundo álbum é sempre um momento muito esperado pelos críticos de musica. É a partir dele que se conseguirá avaliar o futuro da banda, e que se poderá dar azo à imaginação para um possível assassinato imediato, só porque o assado do meio dia estava sobre o queimado.
Pois o prato desta refeição (leia-se capa do álbum), é, de facto, indigesto. A loira em pose misteriosa da capa é algo que não calha bem a esta tropa. Já no álbum de estreia homónimo optaram por um booklet à pré-pimária e  respectiva cover bastante inocente, com um morcego a voar e um candeeiro a fundo. Ainda não se percebeu o objectivo das façanhas.
Mas como não é o prato que faz a refeição, a carne que está dentro do prato é da boa. Ainda com o efeito do hype bem prolongado já desde 2008, souberam ser inteligentes ao ponto de mudar um pouco a sua sonoridade. Assim, em Contra deixam de lado a produção mais orquestral do 1º álbum e adoptam uma toada mais electronica. É possivel fazer algumas associações com o álbum anterior, podendo-se dizer que também existem neste álbum "A-Punk" ou "Mansard Roof" personificadas em "Cousins" e "Holiday", respectivamente. "Cousins" é o momento mais empolgante do álbum, com uma percussão viciante e desafiante, acompanhado dos "ai-ui" habituais de Ezra Koening. África continua a ser o pano de fundo para Vampire Weekend, e que tão bem sabem trabalhar, é da África alegre que aparece a faixa mais bem conseguida dos Vampire Weekend até à data - "White Sky". Pura magia aquela melodia, que roça a perfeição.
É um álbum muito coeso e alegre, e apesar de uma cantiga mais azeitola como "California English" a constância do álbum é mantida até à balada final "I Think UR a Contra".
Para quem estava à espera de os trucidar, Contra foi um belo responso, e fez jus ao nome.
 
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