sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

All aboard!

Em vez dos habituais lamentos de fim de ano - ai que este ano correu tão mal nosso senhor - proponho que façamos uma breve reflexão e que se interiorize a ideia de que cada um de nós tem que tomar a iniciativa de fazer alguma coisa por este país, e isso passa desde logo por optar por uma atitude mais pró-activa. Como disse um sujeito, outrora incompreendido: "They always say time changes things, but you actually have to change them yourself" (Andy Warhol). 
Umas boas entradas a todos e até 2011.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Os melhores barulhos de 2010 - discos

20 Northern Portrait – Criminal Art Lovers [Matinée]
19 Kings of Leon – Come Around Sundown [RCA]
18 Linda Martini – Casa Ocupada [Rastilho]
17 Avi Buffalo – Avi Buffalo [Sub Pop]
16 Harlem – Hippies [Matador]
15 The National – High Violet [4AD]
14 B Fachada – B Fachada é Pra Meninos [MBARI]
13 MGMT – Congratulations [Columbia] 
12 Angel Olsen – Strange Cacti [Bathetic]
11 John Grant – Queen of Denmark [Bella Union]

10 Big Boi – Sir Lucious Left Foot: The Son of Chico Dusty [Def Jam]
09 Caribou – Swim [Merge]
08 B Fachada – Há Festa Na Moradia [edição de autor/MBARI]
07 Ariel Pink's Haunted Graffiti – Before Today [4AD]
06 Pop Dell'Arte – Contra Mundum [Presente]
05 Wavves – King of the Beach [Fat Possum]
04 Kanye West – My Beautiful Dark Twisted Fantasy [Def Jam/Roc-A-Fella]
03 Vampire Weekend – Contra [XL]
02 Beach House – Teen Dream [Sub Pop]
01 Joanna Newsom – Have One On Me [Drag City]

Este poderia ter sido um grande tiro no pé, mas Joanna Newsom soube ter a mestria suficiente para virar o jogo a seu favor: com Have One On Me conseguiu fazer um brilhante triplo álbum, coisa rara em matéria folk. Por incrível que pareça, é neste álbum triplo que Joanna se mostra mais acessível, pois Ys (2006) e The Milk Eyed Mender (2004) não o eram de todo.
Ninguém melhor do que ela nos transporta para um conto de fadas, sem enjôos durante o vôo e com direito a um lanche reforçado pelo meio. Cada vez mais se afigura uma artista única, que certamente foi beber inspiração a Joni Mitchell, Rickie Lee Jones ou Kate Bush, mas a pouco e pouco se afirma com uma diva do novo século. 

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Os melhores barulhos de 2010 - concertos

10 GNR @ Coliseu do Porto, 12/11/2010
09 João Coração @ Casa das Artes, 06/03/2010
08 Ana Moura @ Theatro Circo, 05/02/2010
07 Gil Scott-Heron @ Casa da Música, 15/05/2010
06 Os Golpes @ Fnac Braga, 30/04/2010
05 Pop Dell' Arte @ Casa da Música, 02/10/2010
04 The National @ 16º Festival Super Bock Super Rock, 18/07/2010
03 Scout Niblett @ Centro Cultural Vila Flor, 06/12/2010
02 Prince @ 16º Festival Super Bock Super Rock, 18/07/2010
01 Caetano Veloso @ Coliseu do Porto, 29/07/2010




Sem dúvida o concerto do ano - o concerto de uma vida. O que Caetano Veloso protagonizou no Coliseu do Porto não é fácil de se descrever, tamanha é a intensidade imposta ao longo do espectáculo. É daqueles poucos artistas em quem se pode confiar por inteiro a noite, não se está a pensar em êxito X ou Y e entrega-se o espectáculo ao criador, sendo certo que coisa boa virá.
Aos 68 anos de idade e ao fim de 44 álbuns editados ("ao vivo" à mistura), a forma continua no ponto certo e ainda tem fôlego para levar a cabo uma nova empreitada de esforço, como com a banda cê, ao mesmo tempo que acompanha as novas tendências musicais e tenta impor a sua visão dos factos. É extraordinário.

Notas:
A foto 7 está creditada a Cristina Pinto Pinto;
A foto 6 diz respeito ao concerto no Coliseu dos Recreios, 14/11/2010, e está creditada a Sofia Ferreira;
A foto 3 diz respeito ao concerto na Galeria Zé dos Bois, 05/11/2010, e está creditada a Vera Marmelo;
A foto 1 diz respeito ao concerto no Coliseu dos Recreios, 27/07/2010.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Os melhores barulhos de 2010 - músicas

30 Lightspeeed Champion – Smooth Day (At The Library)
29 Northern Portrait – Criminal Art Lovers
28 Deolinda – Passou Por Mim e Sorriu
27 Tallest Man on Earth – You're Going Back
26 Holly Miranda – Waves
25 Four Tet – She Just Likes To Fight
24 Pantha du Prince – Stick To My Side (feat. Panda Bear)
23 The National – Conversation 16
22 Linda Martini – Elevador
21 Tiago Guillul – Nabucodonosor (com Rui Reininho)
20 Delorean – Stay Close
19 Avi Buffalo – Remember Last Time
18 Deerhunter – Desire Lines
17 peixe : avião – Sentido de Calma
16 Bonaparte – L'État C'est Moi
15 Kings of Leon – The Face
14 The Morning Benders – Excuses
13 Two Door Cinema Club – Something Good Can Work
12 Mão Morta – Tiago Capitão
11 Pop Dell’ Arte – La Nostra Feroce Volontà D'Amore
10 Joanna Newsom – Good Intentions Paving Company
09 Beach House – Take Care
08 Gil Scott-Heron – I'll Take Care Of You
07 Yeasayer – ONE
06 Wavves – Post Acid
05 Animal Collective – What Happened? 
04 Ariel Pink’s Haunted Graffiti – Round And Round

03 B Fachada – Memórias de Paco Forcado, Vol. 1


02 Vampire Weekend – White Sky


01 Panda Bear – Last Night at the Jetty

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

"Love is the answer and you know that for sure"



Half of what I say is meaningless
But I say it just to reach you,
Julia

Julia, Julia, oceanchild, calls me
So I sing a song of love, Julia
Julia, seashell eyes, windy smile, calls me
So I sing a song of love, Julia

Her hair of floating sky is shimmering, glimmering,
In the sun

Julia, Julia, morning moon, touch me
So I sing a song of love, Julia

When I cannot sing my heart
I can only speak my mind, Julia

Julia, sleeping sand, silent cloud, touch me
So I sing a song of love, Julia
Hum hum hum...calls me
So I sing a song of love for Julia, Julia, Julia

A música "Julia" foi escrita em 1968 - durante a visita ao guru Maharishi Mahesh Yogi, na Índia - por John Lennon, em memória de sua mãe falecida. Julia Lennon morreu em 1958, atropelada por um carro conduzido por um polícia embriagado, tinha John apenas 17 anos de idade. Esta música encerra o primeiro disco do White Album, dos Beatles, mas neste caso aparece a solo, o que não aconteceu em mais nenhum momento na carreira da banda.
Como complemento a esta lembrança do trigésimo aniversário da morte de John Lennon, recomendo a leitura de este artigo, que resume em poucas linhas alguns os factos mais importantes/marcantes na sua vida.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Harmonioso é o adjectivo apropriado

A sessão para a editora 4AD que segue em baixo é da banda escocesa Broken Records, que editaram o seu segundo álbum este ano, e aconselha-se vivamente a sua visualização. Os amantes dos The National vão gostar especialmente do que se segue. Que harmonioso.
 
    

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Ponham os olhos nisto enquanto é tempo

Angel Olsen é das melhores cantoras em matéria folk que ouvi este ano. E foi dos poucos álbuns que me fizeram tremer os joelhos. O primeiro trabalho intitulado Strange Cacti (2010) foi editado no formato cassete pela editora Bathetic. Para apreciar aqui.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Do frio se faz calor

Agora que os dias se fazem frios, nada de melhor que umas melodias de conforto para enganar a ânsia da procura de agasalho - Long Way to Alaska são os requisitados nesta tarefa. Há qualquer coisa aqui de Kings of Convenience e José González, aquele som que muitos procuram mas poucos acertam; e são portugueses (Braga), para abrilhantar ainda mais as coisas. O álbum de estreia intitulado Eastriver está em streaming no respectivo myspace até dia 22 de Novembro. É aproveitar.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Pasmar ou não pasmar, eis a questão.

Voice/Piano/Keyboards: Bryan Ferry
Guitars: Oliver Thompson, Phil Manzanera, David Gilmour, Nile Rodgers, Jonny Greenwood
Bass: Marcus Miller
Drums: Andy Newmark, Tara Ferry, Emily Dolan Davies
Percussion: Frank Ricotti
Synthesisers: Brian Eno, Colin Good
Electronics: John Monkman
Oboe: Andrew Mackay
Cello: Anthony Pleeth
Violins: Perry Montague-Mason, Emlyn Singleton
Viola: Vicci Wardman
Chorus: Seweuse Abwa, Hannah Khemoh, Aleysha Gordon
Voice: Tallulah Harlech
Additional Engineering: Sven Taits, Ash Howes
A ficha técnica mostrada acima diz respeito ao elenco de músicos que participou em "Song to the Siren", uma versão de um original de Tim Buckley, e que está incluída no novo álbum de Bryan Ferry, editado no mês passado.  Esse novo álbum, intitulado "Olympia" e que ostenta na capa a figura de Kate Moss, tem uma equipa maravilha com nomes como Brian Eno, Jonny Greenwood, David Gilmour, Flea, e mais uns quantos. Para explorar e degustar.
 

domingo, 7 de novembro de 2010

O concerto do ano.

E é assim. Por vezes acontecem destas surpresas. A inglesa Scout Niblett não era tu-cá-tu-lá comigo, mas já tinha ouvido alguma coisa a espaços, pena que sem grande alarido. Nos dias de hoje, em que temos acesso a tudo e em que mil e uma bandas são criadas diariamente, corre-se no risco de deixar passar ao lado certas preciosidades.
No café concerto do CCVF de ontem, com lotação esgotada?, Niblett deu a conhecer um pouco das suas tempestades interiores. Tanto cantava  num tom suave, como de repente num desvario desatava a gritar. O baterista - Dan Wilson - descalço, ora batia na bateria como Afonso bateu na mãe (ou no amante, dependendo da versão), ora a mimava com festinhas. Todas essas variações aconteciam, não raras vezes, na mesma música. Tanto o publico como Niblett adoraram o concerto, tendo inclusive a cantora desabafado com um "too much fun". Faltou por tocar "Kiss", pois Niblett não gostou da ideia de ter toda a gente a pedir essa música. 
A quem ainda não teve a oportunidade de visitar este café concerto aconselho vivamente, pois apresenta uma relação qualidade/preço acima da média, numa sala com uma óptima acústica, e uma programação de fazer inveja a qualquer casa do género. Bem-hajam.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Calcinar todo o mal que vem de dentro

Gosto de cantautoras que cantam com a alma. Que exorcizam os seus males, como se até nós os ouvintes tivéssemos alguma quota parte de culpa no que se está a passar dentro da cantora. Que não têm receio em deitar tudo cá para fora, mesmo quando é algo muito pessoal. Como exemplo deste tipo de cantoras temos Pj Harvey, com uma garra de invejar, e a Cat Power (dos primeiros tempos), pela qual nutro um carinho especial há bastante tempo, e que, como ninguém, consegue exteriorizar o mal que lhe está a consumir. Um outro exemplo, e a propósito de um futuro concerto no sábado no CCVF (pela módica quantia de 4€), é Scout Niblett: um maná dos deuses para admiradores deste tipo de cantoras. Este ano lançou um novo álbum - The Calcination of Scout Niblett -, o quinto álbum de originais, que irá ser apresentado este sábado. O vídeo que se segue é para a música "Kiss", incluída no álbum This Fool Can Die Now (2007), que conta com a participação de Will Oldham, e que certamente irá fazer parte do alinhamento.

domingo, 10 de outubro de 2010

Raras vezes se aplaude um concerto de pé, e com a plateia toda.


Dois anos passaram desde a última vez que assisti a um concerto dos peixe : avião, e muita coisa mudou desde então. Actualmente, e três anos passados da sua génese, peixe : avião oferecem das melhores canções em português cantado. Neste novo álbum Madrugada, há um cuidado ainda maior com as letras, uma escrita de canções ao nível de gente grande, e, a nível de instrumentação, um piano delicado e conciso. 
A sala principal do Theatro Circo de ontem estava praticamente esgotada, com a ajuda da brilhante fórmula bilhete-disco e também pelo factor casa, mas ainda assim coisa incomum nos dias de hoje, e para uma banda que, ainda assim, não abraça de todo o mainstream. No final foi uma ovação de pé, por toda a gente, e estava dada a bênção para mais uma temporada de concertos que se espera cheia de alegrias para os peixe : avião.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

O novo álbum dos Kings of Leon está absurdamente belo.


Kings of Leon "The Face"

É um álbum surpreendente, ainda no rescaldo do sucesso do Only by the Night, que vai reconquistar quem havia deixado de acreditar neles. Só vos digo que aqui já não consta uma faixa como "Sex on Fire", onde residia o problema do anterior álbum.

Aqui têm uma entrevista com os próprios, onde eles descrevem o processo de construção do novo álbum.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

A revolução está a passar por aqui

O que B Fachada anda a fazer poderá não agradar a todos, mas o facto é que a sua popularidade tem estado a crescer num ritmo descontrolado, havendo neste momento pouca gente a desconhecer a sua identidade. B Fachada já não é indiferente, com muito mérito à mistura pois teve sempre o timing certo para lançar novo material; ele sabe muito bem que um dia podem ser populares e no outro estão encostados à valeta: foi necessário alimentar o publico com sucessivas edições em formatos de curta e longa duração, num total de 5 EPs e 2 LPs ao longo dos últimos 3 anos. Agora surge num anúncio de azeite, é apoiado por um banco português de referência e neste mês de Agosto surgiu em artigos de diversos jornais/revistas portugueses. Para além disso tem também agora um novo EP para apresentar, "Há Festa Na Moradia", onde B Fachada namora novamente a música portuguesa, mas desta feita conjuntamente com a amiga África (lá se foi a monogamia). 
O primeiro single a ser apresentado é "Joana Transmontana", com a figura central de Adélia Garcia, cantadeira descoberta há 50 anos pelo etnomusicólogo Michel Giacometti, filmada agora pelo visualista Tiago Pereira em formato super-8, formato que se popularizou nos anos 70/80. Tiago Pereira e B Fachada nasceram um para o outro, e a explicação encontra-se aqui em baixo.



Podem fazer o download gratuito do novo disco de B Fachada aqui

Fotografia: Vera Marmelo

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Considerações

- A votação para o Golden Blog do mês de Julho da Cotonete já está a decorrer, e vai durar até ao final deste mês. Conto com o vosso voto.
- Este blog está a sofrer um coma involuntário: por força das férias de verão, essa época maravilhosa, mas também pelo facto de estar numa altura decisiva do meu curso, e que me está requerer uma dedicação mais romântica. Aproveitem para ler um livrinho; quando a tempestade passar venho cá dizer um olá.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

A contar as horas


Caetano Veloso, dia 29, Coliseu do Porto, 22:00h
E assim, em princípio, irá teminar o concerto de amanhã. Espera-nos um Caetano eléctrico, a mercê da sua banda Cê (2006), constituída por Marcelo Callado na bateria, Pedro Sá na guitarra eléctrica e Ricardo Dias Gomes no baixo e teclados. Vamos ouvir 7 das 13 músicas que constam no último e notável disco Zii e Zie (2009), e outras preciosidades como a do vídeo acima, que foi composta para a telenovela Tieta (1989) de Aguinaldo Silva, que adaptou um romance de Jorge Amado intitulado Tieta do Agreste (1977).
Setlist do concerto de segunda-feira, dia 26, em Lisboa:

Tem que ser viola/Kuduro/A voz do morto
Sem cais
Trem das cores
Perdeu
Por quem?
Maria Bethânia
Irene
Volver (Carlos Gardel cover)
Desde que o samba é samba
Tarado
Menina da Ria
Não identificado
Odeio
A base de Guantánamo
Lapa
Água
A cor amarela
Eu sou neguinha?

Força estranha
A luz de Tieta

Têm aqui uma crítica desse concerto.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Descubra as semelhanças



















A menina da esquerda é, como toda a gente sabe, a jovem Carolina Patrocínio. A da direita, que, no meio da diferença apresenta semelhanças à portuguesinha, é Yo-Landi Visser, do grupo de hip-hop avançado, sul africano, Die Antwoord. Sem querer dar mais achegas, apenas digo que as duas têm sensivelmente o mesmo tamanho. Descubram o resto.

Dos poucos concertos que vão valer a pena em Paredes de Coura 2010



Artista: Caribou
Música: Sun
Álbum: Swim
Ano: 2010
Realizador do vídeo: Simon Owens

terça-feira, 27 de julho de 2010

Isto é o que se chama ser liberalista



Têm aqui também um bom artigo do senhor Simon Reynolds para ler, acerca do fenómeno Ariel Pink.

domingo, 25 de julho de 2010

Pequeno-Almoço Continental
















Os Pontos Negros
"Pequeno-Almoço Continental"

[2010; Universal]



Em jeito de aviso prévio, é favor parar por aqui quem tem medo da pop cantada em português e/ou acha que só lá fora é que se fazem álbuns pop de qualidade. Agora que ficaram os bons, Os Pontos Negros não vão ficar nos anais da história, eles próprios têm noção disso, mas vão lançando pequenas jóias pop que, verão após verão, vão ficando nos nossos ouvidos. Aconteceu isso com o primeiro Ep, onde condensam as suas melhores músicas até à data como "Numerologia" e "Canção da Lili", e posteriormente a sua confirmação em Magnífico Material Inútil, com air play de fazer inveja a muitas bandas: isso mesmo valeu-lhes a assinatura por uma editora major, a Universal.
Estando eles numa grande editora, têm uma responsabilidade acrescida de vender discos, que nos dias de hoje não está fácil. Assim recorrem a bengalas como traduzir para português aquilo que a juventude (o publico alvo) ouve de lá de fora: se no primeiro disco ouvimos The Strokes, a febre deste ano são os Vampire Weekend, bem patente em "Rei Bã" ou "Caminhos de Ferro". "Duro de Ouvido" é a faixa-chave do álbum, onde eles dedicam umas estofes para possíveis críticos do trabalho dos Pontos Negros. "Não sei ler escalas em clave de sol/E muito menos em clave de fá" começam assim esta música para depois no refrão dizerem "Mas tenho alegria/Dentro do meu coração": podem acusá-los de tudo menos de pretensiosismo. Podem ter conseguido o que conseguiram mas têm noção da realidade e convivem bem com isso, e o resultado é um sorriso no coração. Temos também uma dedicatória a António Variações com "Se o Variações Fosse o Meu Barbeiro", e outra a Lisboa com "Lisboa, Não Passas Deste Inverno".  Em trejeitos de New Order começa "Morre A Canção", com as guitarras a executarem uma saraivada de acordes com um coro a acompanhar aquela que será a faixa-agrada-a-todos do álbum. A fechar temos "São Torpes Não É St. Tropez" que promete rivalizar com os Fúria do Açúcar no que toca a hinos de verão. Têm aqui um belo pacote de canções pop para usar e abusar nesta época veraneante.


Ficha técnica:
Género: Pop/Rock
Origem: Portugal
Para quem gosta de: Heróis do Mar, Tiago Guilul, Vampire Weekend
Faixas em destaque: Duro de Ouvido, Morre A Canção, São Torpes Não É St. Tropez

sábado, 24 de julho de 2010


Os Pontos Negros "São Torpes Não é St. Tropez"
Fotografia: DuckDuck

terça-feira, 20 de julho de 2010

16ª edição do festival Super Bock Super Rock - 2010

A edição número 16 deste festival ficou marcada pelo cartaz de excelência, mas também pela péssima qualidade do campismo/recinto. Se o cartaz não estivesse tão bem pensado, esta seria uma edição desastrosa deste festival. E comece-se já com as críticas: este festival teve a boa iniciativa de fugir à cidade e assentar  arraiais no concelho de Sesimbra, e, ao contrário do que é divulgado, não é no Meco, mas numa Herdade - a Herdade do Cabeço da Flauta - que de praia não tem nada, antes sim um vasto pinhal. Em primeiro lugar, aquilo fica nos confins de Portugal, quase sem habitantes, um deserto no verdadeiro nome da palavra. Por este motivo, quem se deslocasse ao festival, ficava confinado a ficar no parque de campismo, onde pouca sombra era conseguida pelos pequenos pinheiros existentes, ou então teria de ir de autocarro para a praia. A sensação não é muito boa, são 4 dias em que só temos uma opção: apanhar sol. Como o sol do Sul é forte, o resultado são escaldões. Muita gente os sofreu, e sem oportunidade de os curar, visto que era preciso suar muito para encontrar uma sombra em condições. 
Depois não existe qualquer tipo de comércio à volta, o que nos obrigava a ter de alimentar dentro do festival. O mais grave é que as portas do mesmo só abriam às 16:00h, o que proporcionava um jejum involuntário aos milhares de festivaleiros. Como se não bastasse, todo o recinto tinha um solo com uma areia que libertava um pó medonho, e aqui a organização falhou logo à partida porque este piso é impróprio para estes eventos. Como tal só com lenços se conseguia estar, e mesmo assim não chegavam. Outra falha grave e gritante foi a reduzida quantidade de chuveiros que disponibilizaram: eram cerca de 20 chuveiros que, como é óbvio não chegaram para dar vazão a toda a gente e proporcionava filas intermináveis que chegava a atingir a meia centena de pessoas. 
Carregar telemóvel é tarefa que se poderia, à partida, esquecer. A barraca da EDP localizada no recinto tinha meia dúzia de carregadores, e nem todos os modelos constavam, para agravar mais a situação. A revista feita aos festivaleiros na recepção ao festival foi do aparato mais estúpido alguma vez visto: cães farejadores, polícia, podia-se pensar que se estava na presença de delinquentes ao mais alto nível. Absurdo. Aquilo parece que foi só para amedrontar o pessoal, pois nos dias que se seguiram pois não houve tão apertada revista. Como já deu para perceber, tudo correu mal na estadia nesta Herdade, vamos passar à música, que foi o que levou as pessoas ao festival.

O primeiro dia ficou marcado pelo palco secundário e a trupe indie mais requisitada de momento. St. Vicent, Beach House, Temper Trap e Grizzly Bear são bandas que actualmente têm grande atenção, e fez muita gente não sair deste palco. Neste palco só deu para dar atenção aos Grizzly Bear, e passar os olhos por Beach House e St. Vicent. Beach House já tinha sido visto em sala em Guimarães este ano, e espantaram. Em festival não se portam mal, e até ganham alguma potência que não é sentida numa sala fechada. St. Vicent não tem nenhum talento imaculado, é tentar fazer diferente sem sucesso: nem todos podem ser bons. Já Grizzly Bear foram magistrais, com um palco bem apetrechado com um jogo de luzes inspirado no seu vídeo de "Two Weeks". Não se vislumbra líder nato desta banda, todos têm um papel de comando, e mesmo o vocalista principal muda a cada música. O coro, esse, é perfeito, mostrando-se dos musicos mais dotados da actualidade.
Pelo palco principal houve surpresas (ou confirmações para alguns): Jamie Lidell de corsários e havaianas deu uma verdadeira lição de música. Ter um musico deste calibre e com álbuns de grande qualidade como o Multiply, já editados, é quase pecado. Jamie Lidell transforma o palco à sua medida, e não se deixa acomodar por um alinhamento básico: por duas vezes deu largas à imaginação e improvisou (?) sessões de beatbox. Num misto de soul, electónica e R&B, Jamie Lidell deu um verdadeiro show.
Mayer  Hawthorne & the County é favor trazer esta banda novamente a Portugal num futuro próximo: mas que arrebatadora actuação. Se duvidas existissem em relação à excelente qualidade musical deste senhor, estas desapareceram. À semelhança do que lhe antecedeu, este é outro cantor branco, mas que deve ter uma costela afro. De laço peculiar e smoking, a cada momento que Mayer abraçava o microfone transformava-se num lança-chamas de groove, com muito romantismo à mistura, resultado das suas letras pinga-amor. Momentos relaxados como "Just Ain't Gonna Work Out" e outros mais empolgantes como "Maybe So, Maybe No", mantiveram o publico divertido, a mercê também de algumas piadas do cantor.
Cut Copy e Pet Shop Boys, por outro lado, não deslumbraram. Cut Copy até se encontraram bastante perdidos na primeira parte da actuação, mas depois conseguiram entrosar-se e dar uma concerto razoável: as novas músicas tocadas estão boas, e já começam a gerar alguma expectativa sobre o sucessor de In Ghost Colours. Pet Shop Boys não serviu mais do que satisfazer os mais nostálgicos. O espectáculo visual é de facto muito bom, mas já não têm o mesmo carisma dos saudosos anos 80.

Se há coisa que se deve ter em atenção, e em especial nestes festivais de cartaz cuidado, são as primeiras bandas a tocar. Neste dia, os perfeitos desconhecidos Sweet Billy Pilgrim deram um espectáculo de encher as medidas aos mais atentos. Surgindo do nada, surpreenderam tudo e todos, com uma música que quebra barreiras do convencional: country-rock com acrescentos de pós-rock, resultando em alguns momentos de inspiradas improvisações. Daqui por um ano já vão andar na alta roda.
Holly Miranda foi outra das revelações da hora do pôr-do-sol. .Um misto de Pj Harvey e Cat Power dos tempos do rock, irrompeu os ares com bastante pó da Herdade com vontade de "dizer presente". A adesão do público foi instantânea, como se Miranda já tivesse uma pequena legião de fãs em Portugal. Foi com "Waves" e "Joints" que o publico delirou e cantarolou a espaços.
Colocar Vampire Weekend a cabeça de cartaz quando a abrir temos Hot Chip, é somente uma jogada comercial. Hot Chip são uma banda de renome, com diversas provas dadas da sua qualidade acima da média e não ficava nada mal o lugar de cabeça de cartaz de festival. Porque foi de longe o melhor concerto do dia, e conseguiram angariar ainda mais fãs. De inicio a fim foi como que se entrássemos uma pista de dança em que o dj fazia anos: todos os êxitos foram tocados, e inclusive uma das melhores faixas do ano que é "I Feel Better". Um festão sem fim, e no final todos comentavam o excelente concerto assistido. Vampire Weekend foi o concerto do histerismo esperado, que embora tenham lançado um bom álbum este ano - Contra - ainda não aguentam bem o estatuto de cabeça de cartaz. Teve demasiados momentos mornos, que nem os momentos Dick Dale de "Cousins", e outras que tais fizeram esquecer.
Julian Casablancas foi o carrasco do dia, com um concerto a começar mal - um atraso de 20 minutos - e que acabou à hora programada, o que transformou este, num concerto flash. A sobriedade não existe em Casablancas, e o arrastar no palco foi notório de inicio a fim. Os pontos altos foram as músicas que tocou dos Strokes, "Hard to Explain" e "Automatic Stop", e serviu para atiçar o gostinho pelos que desesperam por um concerto desses senhores.
 
Este era o dia grande, aquele em que iríamos ver de perto a lenda viva, de seu nome Prince. Para gáudio dos presentes Prince apresentou uma setlist revivalista, com os 70s e o funk como assunto da noite. Aqueles solos intermináveis, o coro negro e um tocador de harmónica excelso marcaram uma noite especial, que ainda contou com a presença de Ana Moura, com Prince a improvisar sobre "Vou Dar de Beber à Dor" e "A Sós Com a Noite". "Kiss" e "Purple Rain" levaram ao delírio o publico presente, e Prince retribuía a atenção com um "I Love Portugal". Felizardos foram os que estiveram neste concerto.
Num outro campeonato estiveram os The National, que, não fosse a presença de Prince e tinham assegurado a pole position dos melhores concertos. O hype aparecido com este último álbum foi sufocante, aparecendo coisas escritas na imprensa especializada que nem os próprios membros da banda devem concordar/acreditar. Apesar dos êxitos maiores constarem em anteriores álbuns, o novo - High Violet - é o mais bem pensado e sucedido enquanto matriz "álbum". Agora que as coisas estão mais calmas, The National decidiram agitar as águas ainda turvas, perante um dos melhores públicos de sua pertença - o publico português. As danças estranhas do vocalista Matt Berninger são o emular dos movimentos de Ian Curtis e a pose ao microfone à imagem de Stuart Staples dos Tindersticks. Propositado ou não, o que é certo é que estas referências aparecem logo à memória. Fora hypes e comparações, a categoria imposta pelo colectivo dos The National é, de facto, extasiante. Em palco constituidos por um trompestista, um saxofonista, um baterista, dois guitarristas, um violinista e um baixista, tudo funciona na perfeição. O "maestro" Matt Berninger passeia-se no palco com os seus ataques-de-não-se-sabe-o-quê e o épico funciona em seu redor. Vale a pena ver The National, nem que não seja pela sempre magistral interpretação de "Mr. November".
O resto do dia não chegou aos calcanhares dos outros dois concertos: The Morning Benders deram o ar de sua graça, e pouco mais; Spoon foi o concerto do costume, da eterna banda-quase-lá; Empire of The Sun valem pelo espectáculo visual, com quatro bailarinas de qualidade superior, e um guarda-roupa com boa imaginação.

Para o ano este festival, a manter-se neste local, tem que melhorar a 200% a qualidade do campismo, e, se possível, manter a elevada qualidade do cartaz. 

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Até loguinho!

Qual Alive, qual quê! Super Bock Super Rock é o melhor festival de verão deste ano em Portugal. É um festival com uma boa razão qualidade/preço, não tem um cartaz de "tudo ao molhe", fazendo lembrar um pouco o festival Paredes de Coura de há 2/3 anos, como festival de conceito. Pela primeira vez vou assistir a um festival de música em que 80% das bandas são do meu agrado. E nem tanto pelos cabeças de cartaz, mas pelos que estão a letras médias e mais pequenas. É certo que o nome de Prince é chamativo, mas não é a razão principal por que vou fazer 400Km.
Mas nem tudo é um mar de rosas nesta edição de 2010 do SBSR: em cima do festival foi lançada a bomba de que não se poderia utilizar botijas de gás no festival, devido a "motivos de segurança". É o capitalismo no seu estado mais puro a falar mais alto. Vamos ver como se vão aguentar com as milhares de botijas que certamente vão entrar lá. Isto para não referir o facto não haver um supermercado nas imediações, ao que consta. Mas já se sabe, se a edição deste ano der para o torto, mais ninguém põe lá os pés novamente. Nem o melhor cartaz do mundo lhes vale. A ver vamos.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Bifes em tamanho XL



OutKast são enormes, metade dos OutKast ainda continua a ser grande. Isto promete.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Barulho da Semana: Holly Miranda "The Magician's Private Library"

Holly Miranda - The Magician's Private Library [2010; XL]

myspace | site

Género: Pop/Rock/Singer-songwriter
Origem: EUA
Parecido com: Cat Power, Mazzy Star, Marisa Nadler
Faixas em destaque:  Joints, Waves, Sleep on Fire


Isto para quem não gosta de Cat Power é escusado; para quem ainda não sabe se gosta é a ver; para quem adora é obrigatório. Assim em breves linhas se resumem as possibilidades de Holly Miranda. Não se está aqui a diminuir o talento da artista, apenas se constata que apresenta uma voz muito semelhante à de Chan Marshall, na fase em que ela se dedicava ao rock.
Neste álbum de estreia - The Magician's Private Library - conta com a ajuda de Dave Sitek dos Tv On the Radio na orquestração do álbum e é a partir deste senhor que tudo se desenvolve. As canções assentam numa base dreamy, comum em bandas como Mazzy Star ou Slowdive, atribuindo uma atmosfera etérea ao longo de todo o álbum. "Joints" e "Waves" são o melhor que extraímos deste álbum: a primeira é uma música que começa apenas com uma guitarra e voz, mas vai crescendo até o final para desembocar num trompete em estilo épico; em "Waves" tenta-se tirar da cabeça Cat Power, mas logo de seguida nos apercebemos que aquela letra tão directa dificilmente poderia ter sido escrita por ela. Apesar de o final estar bem conseguido com "Sleep On Fire", todo o álbum parece estar encoberto de uma atmosfera demasiado densa e que pouco ou nada nos transmite de relevo. Fazem o preenchimento do álbum e pouco mais. Ainda não foi desta que Miranda se revelou totalmente. Esperemos que numa próxima isso aconteça, porque o talento está lá.

Chan, és tu?



So where do the waves go, my love
Where do the waves go, my love?
Sonic or liquid, I don't know

Ooh, we wait so long, babe
To become just one heart

sábado, 10 de julho de 2010

Os Golpes: será desta?

Os Golpes, pertencentes à editora Amor Fúria, são um grupo pop-rock português, nascido a 2008, que teve como intuito recuperar a alma perdida dos Heróis do Mar. Os Heróis do Mar foram, se não o mais importante, um dos mais importantes grupos  pop-rock da década de 80, em Portugal. Na altura foram bastante criticados por ter alusões directas à pátria, como o próprio nome da banda que foi retirado do hino nacional português - A Portuguesa - tendo sido visto como um acto de apoio ao governo ditatorial extinto. Mesmo não sendo de extrema-direita como os anunciavam, o ser patriótico não era visto com bons olhos, visto que ainda tinham o fantasma da ditadura bem presente. 
Hoje em dia já não temos esse problema, e o facto de Os Golpes utilizarem como símbolo a Cruz da Ordem de Cristo, usada nas caravelas portuguesas no tempo dos Descobrimentos, só abona em favor da banda. O primeiro álbum dos Golpes (2009) - "Cruz Vermelha Sobre Fundo Branco" - embora dotado de um instrumental inebriante, e que está bem acima da média do que se pratica em Portugal, as letras não conseguem acompanhar essa qualidade. Não deve ser por acaso que o álbum contém duas músicas somente instrumentais. Tirando uma ou outra canção, como o single "A Marcha dos Golpes", as restantes têm letras medíocres e que deitam abaixo o que poderia ser um grande álbum. Agora em 2010 eles têm a hipótese de se redimir e apresentar um Ep completo, como se espera que eles venham a fazer. Esse Ep vai ser oferecido em concertos no Porto e em Lisboa, e a nova faixa "Vá Lá Senhora", que conta com a participação de Rui Pregal da Cunha (vocalista dos Heróis do Mar), já pode ser ouvida aqui. As expectativas estão elevadas.

Fotografia: Vanda Noronha

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Recomenda-se



E quem quiser ir tem mesmo de se apressar em comprar os bilhetes. Já não restam muitos.

Barulho Esquisito é "Blog da Semana" da Cotonete

Pois bem, depois do êxito ocorrido nos prémios Super Blog Awards, chega agora mais uma distinção, desta feita pelo espaço musical português da Cotonete, como Blog da Semana. No final do mês vão ser reunidos todos os blogues da semana para uma votação, que irá determinar o Golden Blog.

PS: Aquilo tem um misterioso fundo branco sobreposto. Enquanto eles não solucionam o problema, e se quiserem ler o texto, têm que arrastar o rato por cima dele.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Podendo, é ouvir isto como se não houvesse amanhã



Artista: Tennis
Música: South Carolina
Álbum: South Carolina 7''
Ano: 2010
Realizador do vídeo: Scott Laidlaw

A ter debaixo de olho: Tennis

Tennis são mais uma banda sonora para este verão, ou melhor, eram, se o álbum já estivesse cá fora. Enquanto ele não chega ouvimos repetidamente o myspace até à exaustão. O seu primeiro 7polegadas intitulado South Carolina e agendado para 27 de Julho, já se encontra esgotado (era limitado a 300 cópias). Tennis são então uma dupla estadunidense, marido e mulher, que descobriu a música a dois a bordo de um barco à vela, onde navegaram ao longo de 8 meses pela Costa Atlântica dos EUA. O resultado foi uma banda pop, que pese embora não revolucione coisa que seja, faz pular um pouco o coração. O vídeo que se segue, com uma actuação ao vivo, tem qualquer coisa de Beach House.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Barulho da Semana: Delorean "Subiza"

Delorean - Subiza [2010; True Panther]

myspace | site

Género: Pop/Electronic
Origem: Espanha
Parecido com: Panda Bear, Yeasayer, Hot Chip, Cut Copy
Faixas em destaque:  Stay Close, Endless Sunset, Grow


Costuma-se dizer que, de Espanha, nem bons ventos nem bons casamentos, mas Delorean querem contrariar o provérbio: eles são o casamento perfeito no verão que se assiste. Parecendo que não, Delorean levam já dez anos de existência; a sorte grande, essa, só lhes saiu neste ano de 2010. Perfeitos desconhecidos até há bem pouco tempo, foi através de remisturas de bandas famosas como Franz Ferdinand e The XX e do Ep Ayrton Senna (2009) que a fama lhes chegou ao pêlo. 
O quarto álbum, Subiza, é o culminar de um trabalho árduo na busca de um som próprio de banda; apesar das claras influências de Panda Bear, há qualquer coisa aqui que nos remete o pensamento para "isto é tão Delorean". O tema, como não poderia deixar de ser, são os anos 80 e todas as suas festividades. New Order, os mais abusados neste verão, estão lá ("Grow"), e os improváveis Masters at Work dão o ar de sua graça em "Warmer Places", uma música que ao inicio assusta, mas que depois nos deixamos por envolver. Mas impossível é não comentar a faixa de abertura "Stay Close": podem baptizar o vosso verão com este tema.

domingo, 4 de julho de 2010

Bonaparte "L'État C'est Moi"
Fotografia: Eleni Mettyear

Katabatic + Asneira @ Insólito bar, 03/07/2010



 

 

De Lisboa vieram, ontem a Braga, duas bandas com o mesmo propósito: tentar espalhar charme. A primeira banda a tocar, deste duplo concerto, foram os Asneira. É uma banda recente, constituída por músicos de bandas já firmadas como Linda Martini, If Lucy Fell, Adorno, I Had Plans e Lobster. Claudia Guerreiro é quem oferece o lado mais popular à banda, devido à sua participação como baixista na banda Linda Martini. O concerto oferecido foi breve, com cerca de 4 músicas tocadas, mas que revelou potencial para vôos bem altos. Rui Carvalho é um guitarrista virtuoso, e o baterista Ricardo demonstrou um à-vontade contagiante na bateria. Em Asneira nada sai errado, o nível de entrosamento da banda faz acreditar que eles já se encontram juntos há bem mais do que os poucos meses de vida que levam. Em concerto os guitarristas fazem-se acompanhar por bancos, tocando sentados todo o alinhamento. O resultado é uma mistura de rock matemático, melodias pós-rock e bateria dos Melvins. O futuro parece risonho.
Katabatic, o cabeça deste duplo concerto, deram um concerto estranho. Começaram bem o concerto, que todo ele consistiu num rock ambiente suportado por um baixo possante, mas cedo se tornaram enfadonhos e aborrecidos. Foi um bocejo, até que se chegou à última música do alinhamento: aí as duvidas apareceram. Se até aí já se tinha dado a sentença, com essa nova música que tocaram fez-nos mudar de ideias e esperar para ver. É mesmo isso que se vai fazer.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Barulho da Semana: Acid Mothers Temple & The Melting Paraiso U.F.O. "In Zero to Infinity"

Acid Mothers Temple & The Melting Paraiso U.F.O. - In Zero to Infinity [2010; Important]

myspace | site

Género: Rock/Psychedelic/Experimental
Origem: Japão
Parecido com: Hawkwind, Can, Ash Ra Tempel
Faixas em destaque:  In 0, In ∞


Acid Mothers Temple são uma instituição psych-rock do Japão. Formados em 1995, Acid Mothers têm conseguido a impressionante marca de três/quatro álbuns por ano (variando nas editoras). São, portanto, uma banda atípica e singular, que defende a tese do "álbum conceptual" como ninguém. Kawabata Makoto é o mentor deste projecto, e teve como objectivo-primeiro criar "extreme music trips", influenciadas pelo Krautrock.
In Zero to Infinity é a continuação de um álbum de 2001 intitulado In C, que consistia numa versão de uma composição de Terry Riley ("In C"), artista de expressão clássica e minimalista. Este álbum está dividido em quatro partes, rondando todas elas os 18 minutos. "In 0" abre o álbum  em reverb constante, sendo a bateria o pano central da peça. Em "In A" somos transportados para uma espécie de macumba, com espíritos, mas sem o tambor que se exigia. De seguida, em "In Z", entramos num túnel do tempo e descobrimo-nos num planeta distante e estranho."In ∞" é a faixa mais acessível e encarna a alma prog-rock em toda a sua força, com free-jazz em delírio constante. Esta é daquelas bandas que vale a pena dar uma olhadela, nem que seja só pela experiência.

domingo, 27 de junho de 2010

Chillwave's eyes



Artista: Animal Collective
Música: Guys Eyes
Álbum: Merriweather Post Pavillion
Ano: 2009
Realizador do vídeo: Joey Gallagher

sexta-feira, 25 de junho de 2010

A era do post-qualquercoisa

É do conhecimento de todos que a música tem estado em constante mutação. Após épocas marcadamente pop, rock ou folk, surge-nos a era do post-qualquercoisa. Não havendo mais nada para inventar, ou então por falta de imaginação, deparámo-nos com um cenário de caos musical. Antigamente uma banda que se prezasse teria de escrever letras de categoria, com uma voz condizente. Hoje em dia isso não acontece: a pegar no recente exemplo do lo-fi, o barulho aleatório é o que nos chega aos ouvidos. Algum dele faz todo o sentido, conseguindo-se registar melodias agradáveis, mas grande parte não passa do medíocre. Depois temos a moda new-rave e afins, que detêm uma vasta legião de seguidores - trash addicts. O drone e a electrónica minimal também estão em alta. São tudo géneros de extremos, estando-se tudo a desviar dos ensinamentos passados, deixando cair alguns dos principais mandamentos. 
Uma das respostas a esta situação está relacionada com a actual crise do mercado discográfico: não se podem fazer letras complexas e que necessitem de grande atenção para as compreender. Há que fazer refrões fáceis e catchy, que entrem logo na cabeça, e uma batida que contagie, nem que para isso se tenha que exagerar no volume e abusar na repetição, em adenda, e assim obter mais êxito comercial. Têm aparecido álbuns bons, mesmo dentro das categorias acima enunciadas, mas reservam-se sérias duvidas se será isto o futuro da música. As perguntas que se colocam são: quando é que se volta a ouvir vozes de fazer cair o queixo? As letras vão definitivamente ser deixadas para segundo plano? Será tudo isto caos passageiro?

A ideia do post surgiu depois de ler isto. Não podia estar mais de acordo.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Só para o caso de não terem percebido que este é um dos melhores álbuns de 2010



Artista: Harlem
Música: Someday Soon
Álbum: Hippies
Ano: 2010
Realizador do vídeo: Aaron Brown / Ben Chappel

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Pela amostra, espera-nos um álbum de valor



Artista: Interpol
Música: Lights
Álbum: Interpol
Ano: 2010
Realizador do vídeo: Charlie White

MGMT merecem todas as letras grandes

"Será isto um sonho?"; "WTF!!"; "Não pode."; estas são algumas das possíveis reacções à primeira audição do novo álbum dos MGMT, e de quem os vem seguindo de perto desde inícios da ainda curta carreira. MGMT tornam-se em 2010 o exemplo a seguir: uma banda que esquece por completo o mercado capitalista e dedica-se à arte de fazer música como gosta e sente.  É, na actual conjuntura económica, um desvario, mas, como boa banda que são, não irão certamente ficar pobres. Não conseguirão almejar o estatuto de milionários, mas irão aparecer nos bons livros de música. É troca por troca. Entretanto andam a apresentar o seu mais recente disco, e agora surgem em versão acústica, onde tocaram uma versão dos The Clean, para a Ohio radio station CD101. Enjoy.

terça-feira, 22 de junho de 2010

A ter debaixo de olho: Slow Animal

Preparem-se para vício. Slow Animal estão a chegar e prometem tirar um ou outro holofote actualmente ocupado a seguir de perto as aventuras dos Wavves. A moda pop lo-fi parece que não quer esmorecer, e é já actualmente partilhada por inúmeras bandas estabelecidas tais como Harlem, Dum Dum Girls ou Vivian Girls. Slow Animal vão engrandecer ainda mais este estilo e afirmam-se como potenciais líderes da trupe.  Eles vêm de Nova Jérsia, EUA, e são apenas dois: Alexander e Daniel. A tour ainda tem pouca expressão - meia duzia de datas nos EUA - mas em breve vamos ter mais notícias deles. É só esperar que o frasco de ketchup encha.
 
<a href="http://slowanimal.bandcamp.com/track/sitting-here">Sitting Here by Slow Animal</a>
 
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