quarta-feira, 31 de março de 2010

São três minutos e quarenta e dois segundos muito intensos

E para quem já ouviu a "Olympians" original, são 10:55 de pura magia. Obrigatório para quem gosta de viagens. Andrew Hung, uma metade dos Fuck Buttons, não poderia ter pensado em melhor imagem para colocar neste vídeo. 

Freaks a valer

O regresso das manas Cassady, que formam o conjunto CocoRosie, está marcado para dia 11 de Maio, com o lançamento de Grey Oceans, o quarto álbum de originais. Irá ser o primeiro com o selo da canadiana Sub Pop. "Lemonade", single de avanço, alterna entre a melancolia e a melodia pulsante do refrão já característico das manas. Nada de novo, mas também nada de mau.

"Lemonade"

Nota: a capa do álbum era tão feia, tão feia, mas tão feia que não consegui colocar aqui. Quem quiser pode assustar-se aqui.

terça-feira, 30 de março de 2010

A bela arte de desenhar capas

O site da stereogum propôs há uns tempos, em tom de brincadeira, que os leitores nomeassem e desenhassem capas para o futuro álbum dos LCD Soundsystem, que até lá estava ainda indefinida. A capa já é conhecida, mas infelizmente é inferior às que foram "propostas" por alguns leitores. A minha preferida é a primeira da lista.






Capa e título definitivos:



Ouvir o novo single "Pow Pow" aqui.

domingo, 28 de março de 2010

Viva Forever


Os ingleses Foals preparam-se agora para lançar Total Life Forever (10 de Maio), que irá suceder a Antidotes, o belíssimo álbum de estreia que pôs todo a gente a dançar ao som de "Cassius" e outras que tal, com a sua pop generosa de sotaque british. Em baixo seguem o singles disponíveis:





Barulho da Semana: Gorillaz "Plastic Beach"

Gorillaz - Plastic Beach [2010; Parlophone]

myspace | site

Género: Pop/Hip-hop/Experimental
Origem: EUA
Parecido com: Gnarls Barkley, Daft Punk, Happy Mondays
Faixas em destaque:  Stylo, Superfast Jellyfish, Empire Ants, On Melancholy Hill


O lançamento de um álbum dos Gorillaz tem sido sempre um acontecimento, e este não foi excepção. Damon Albarn ainda na senda das dream team de luxo, convidou os seguintes artistas que se passam a citar: Snoop Dogg, Kano, Mos Def, De La Soul, Gruff Rhys, Hypnotic Brass Ensemble, Mark E. Smith, Little Dragon, Lou Reed, Bobby Womack, Mick Jones, e Paul Simonon. À partida a tarefa estava ganha, é equipa para se pôr a mão no fogo por qualquer coisa de mal que ocorra. Mas não. A exuberância desta lista de artistas não passa disso mesmo: o que é pena, mas ao que parece Albarn não soube trabalhar bem a equipa.
Sendo assim, este álbum está uns furos abaixo dos supra-elogiados Demon Days (2005) e Gorillaz (2001). Contudo, a magia dos Gorillaz não ficou de todo arredada: a "Clint Eastwood" do álbum está lá, no nome de "Superfast Jellyfish", com o tipico refrão orelhudo, e uma letra que não cabe na cabeça de ninguém, que obtém a ajuda preciosa de De La Soul e Gruff Rhys nas vozes. A abrir o álbum temos a colaboração deliciosa de Snoop Dog "Welcome To the World of The Plastic Beach", onde enunciam as suas preocupações ambientais, que fazem o mote deste álbum, aparecendo uma referência a Gil Scott-Heron, agora muito em voga, contrapondo-se com a frase "The revolution will be televised". Ainda com o Monkey: Journey To The West na memória, projecto que em 2007 levou Damon Albarn a explorar a musica tradicional chinesa, em Plastic Beach existe a aproximação à musica árabe: "White Flag", faixa essa que foi gravada em Beirut. "Melancholy Hill" é o vicio do álbum, onde a voz de Albarn faz-se acompanhar de teclas sedutoras, onde declara o seu amor sofrido por alguém.
A "banda virtual" Gorillaz não conseguiu o que queria - lançar uma obra-prima - mas acrescentou mais alguns bons momentos à sua carreira, e que certamente serão recordados por uns bons anos.

sábado, 27 de março de 2010

Isto é Sound of Silver parte II.

Sim. A nova faixa disponibilizada pelos LCD Soundsystem, a incluir no próximo disco, respira os ares do anterior álbum, mas também se conseguem ouvir alguns ecos de Blur. A ver se isto evolui mais. Crê-se também que possa vir a ser o último álbum da banda. O álbum, ainda sem título, irá sair para o mercado dia 17 de Maio.

"Drunk Girls"

quinta-feira, 25 de março de 2010

E acabou!

Acabaram as votações para o Super Blog Awards! O Barulho Esquisito ficou na 1ª posição na categoria de música e na 5ª posição na classificação geral. Quero agradecer a todos os que tiveram paciência de votar neste blog. O júri determinado pelo Super Blog Awards irá agora avaliar os 5 melhores  de cada categoria, escolhendo o blog vencedor, que depois poderá vir a arrecadar o grande prémio, o de melhor blog de todos. Os resultados serão divulgados a 5 de Abril.

Cultura para todos

Tragam mais Ţuică *

Os Gogol Bordello são reconhecidos, acima de tudo, pelas seus concertos muito molhados, onde os mais fortes aproveitam para perder alguns quilos durante a sessão de saltos aleatórios.  Mas a par destes magníficos concertos também editam um LP de quando em vez: a última vez aconteceu em 2007, e deu pelo nome de Super Taranta!, onde obtiveram o maior sucesso até então, entrando directamente para o 15º lugar da billboard e 14º na lista de melhores álbuns do ano da publicação Rolling Stone. 
Agora, para 27 de Abril, está previsto o lançamento do 5º álbum de originais intitulado Trans-Continental Hustle, através da editora American. A produção vai ficar a cabo do carismático Rick Rubin, e conta com uma faixa em português, "Uma Menina Uma Cigana", e outra com ligações ao Brasil, "In the Meantime in Pernambuco". O vídeo aqui mostrado diz respeito à faixa de abertura, a qual poderão fazer o download legal a partir daqui.

Alinhamento:


01 Pala Tute
02 My Companjera
03 Sun Is on My Side
04 Rebellious Love
05 We Comin' Rougher (Immigraniada)
06 When Universes Collide
07 Uma Menina Uma Cigana
08 Raise the Knowledge
09 Last One Goes the Hope
10 To Rise Above
11 In the Meantime in Pernambuco
12 Break the Spell
13 Trans-Continental Hustle



* Ţuică é uma bebida alcoólica tradicional romena, feita a partir da ameixa.

Pelo bem da humanidade...

... ouçam esta menina. Ela até se esforça, agora em jeito de loucura até editou um álbum triplo. Agora não há desculpas, neste sítio podem ouvir um concerto dela na íntegra, gravado na Sixth & I Historic Synagogue, Washington, DC.

Foto: Annabel Mehran

quarta-feira, 24 de março de 2010

A place in the sun


There's a place in the sun for anyone
Who has the will
To chase one
And I think I found mine
Yes, I do believe I have found mine

So, close your eyes

And think of someone you physically admire
And let me kiss you, oh
Let me kiss you, oh

I zigzagged all over America

And I cannot find
A safety haven
Say, would you let me cry on your shoulder?
I've heard that you'd try anything twice

Close your eyes

And think of someone you physically admire
And let me kiss you, oh
Let me kiss you, oh

But then you open your eyes

And you see someone that you physically despise
But my heart is open
My heart is open to you... 

Morrissey - Let Me Kiss You

terça-feira, 23 de março de 2010

Parece que ainda andam aí para as curvas.


Harlem "Think I'm Thinkin' Bout"

A ter debaixo de olho: Harlem

"the only band we like is nirvana. the only album we like is nevermind.
the only song we like is smells like teen spirit"

Isto é o que os Harlem, provenientes de Austin, Texas, dizem no seu myspace, na parte relativa às suas influências. E em três curtas frases conseguem resumir muito do que são: uma banda com atitude rock na dose certa, com urgência de libertar todas as hormonas em excesso, e com isso contribuir para o bem da população ouvinte. 
O lo-fi ainda não saiu de moda, e ainda bem que assim é porque com rock de garagem assim não é necessário grande trabalho de estúdio. Tem boa melodia, a fazer lembrar o já falecido Jay Reatard, e o instrumental é bem atraente. Se no primeiro álbum Free Drugs ;-) (assim mesmo com o smiley) fizeram uma mini revolução, com o novo LP intitulado Hippies com data prevista de lançamento para 6 de Abril, através da Matador, espera-se uma festa maior. O vídeo abaixo diz respeito a uma actuação ao vivo onde tocaram "Gay Human Bones", que irá ser incluída no próximo álbum.


A foto acima é da autoria de Courtney Chavanell.

Saber dar a volta ao negócio: o videoclip do ano

Hot Chip estão mais satíricos que nunca, facilmente comprovado por "I Feel Better", que aqui no video ganha uma outra forma: desde logo pela imagem de nossa senhora aparecida de Obama e a respectiva boys band de auxilio. O pensador disto tudo foi o famoso comediante inglês Pe­ter Ser­afi­now­icz.




Para abrilhantar mais o assunto, um sujeito de seu nome Bonnie 'Prince' Billy (penso que dispensa apresentações) decidiu também dar o corpo ao manifesto e fazer uma versão para esta música. Aí está a Bonnie 'Prince' Billy Club Mix, "I Feel Bonnie":

domingo, 21 de março de 2010

Barulho da Semana: Retribution Gospel Choir "2"

Retribution Gospel Choir - 2 [2010; Sub Pop]

myspace | vídeo | site

Género: Rock/Psychedelic
Origem: EUA
Parecido com: The Hold Steady, Low, Neil Young
Faixas em destaque: Hide it Away, Poor Man's Daughter, White Wolf 


Alan Sparhawk e Steve Garrington dos Low decidiram em 2007 mudar de ares, e criar uma outra banda intitulada Retribution Gospel Choir. Com o som dos Low a marcar um movimento denominado slowcore, característico de cadências lentas e arranjos simples de guitarra, em Retribution Gospel Choir a história é outra: aqui há energia para dar e vender, os arranjos simples dão espaço a solos virtuosos típicos do rock psicadélico dos anos 70 e à memória aparece um Neil Young eléctrico.
"Hide it Away" abre o disco em modo de quem não quer perder tempo, com o refrão no sitio certo e o instrumental vigoroso, a fazer-se a um anúncio publicitário. A loucura Deep Purpliana de "'68 Comeback" faz a intro perfeita de "Workin'Hard", com uma batida constante e refrão simples, perfeita para acasalar com o radio lá do carro. Já quase no final, "Electric Guitar" marca pela diferença com os seus oito minutos de duração e pela composição progressiva que possui, um crescendo de velocidade rumo ao clímax final.
Os amantes do bom rock têm aqui uma sugestão a considerar.

High Places

O Plano B no dia 21 de Maio vai receber a pop minimal, e dirão alguns extravagante, dos norte-americanos High Places. High Places, que por tradução directa para o português significará "lugares altos", tocam sempre em modo festeiro e com o objectivo de atingir o cume da montanha. É como se Giorgio Moroder estivesse numa relação secreta com os Young Marble Giants. A abertura do espectáculo está a cargo dos portugueses :papercutz, que têm surpreendido com a sua pop delicada, tendo já aclamação além fronteiras: de momento encontram-se a actuar no SXSW.
Em baixo segue ainda o novíssimo vídeo dos High Places, do segundo álbum - High Places vs. Mankind - a ser editado dia 4 de Abril, pela Thrill Jockey.

sábado, 20 de março de 2010

Com o mundo a seus pés

Está quase a acabar o campeonato

É com grande satisfação que comunico que este blog se encontra na 1ª posição na categoria a que concorre (música), a 4 dias do encerramento das votações! Aos que ainda não votaram agradecia que o fizessem, para  que assim consiga manter a distinta posição de líder e, quem sabe, subir mais uns lugares na classificação geral (5º lugar)! O registo não tem dificuldade e leva apenas um minuto. E aproveitando o lanço, era de valor que votassem também neste e neste (visto poderem votar num por categoria), blogs esses muito interessantes.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Beach House @ Centro Cultural Vila Flor, 18/03/2010

Com uma metereologia ainda nada amigável, chuva que teima em não abandonar o país, apesar de todas as adversidades a noite prometia e muito: a pop de sonho dos norte-americanos Beach House iria fazer-se sentir. A sala do grande auditório do CCVF estava praticamente esgotada para os receber, onde os Beach House tinham uma boa oportunidade para brilhar, naquela que seria a última data na primeira tour europeia de 2010.
Desde logo o que saltou mais à vista foi a decoração com o seu quê de sofisticação que eles escolheram para a temática do Teen Dream, álbum a apresentar: quatro cogumelos ou guarda-sóis gigantes fechados, revestidos de veludo branco, todos eles com jogos de luzes coloridos no topo. A entrada em palco fez-se ao som de "Walk in The Park", canção retirada do último álbum, que imprimiu desde logo uma velocidade considerável. Esta música pedia para ser tocada numa fase mais avançada do alinhamento, mas estranhamente é assim que todos os concertos têm começado.
Tendo Beach House preferido Portugal ao SXSW, ao longo do concerto foram proferidas palavras de afecto para com o publico presente, que foi retribuindo com aplausos e assobios dirigidos a Legrand em formato piropo. A viagem prosseguia na nave espacial imaginada por Legrand, como sendo o auditório em questão. Intercalando entre músicas do penúltimo e ultimo álbum, a guitarra em slide continuou a ser uma das imagens de marca do colectivo, se bem que já não tanto abusada. Assim, "Gila" provocou o delírio do publico, tendo algumas pessoas acompanhado os orgasmos vocais de Legrand, outra das características dominantes da banda.
A voz de Legrande foi infelizmente poupada na primeira metade do concerto, que se justifica pela tour rigorosa que estavam a enfrentar. A voz soltou-se em "Master of None", musica integrante do primeiro álbum homónimo. O baterista Grahm Hill que estava em auxilio da banda foi precioso nos momentos implosivos dos Beach House que se assistiram. As mãos propositademanete trémulas de Alex Scally, revelavam o esforço que este fazia por conseguir aquele som de sonho, cheio de oscilações, saído da guitarra, que entravam no ouvido e provocavam prazer imediato. Para o encerramento do alinhamento pré-encore ficou "Take Care", a faixa mais amorosa que deu à luz este ano. Já no encore tocaram a pedido "Astronaut" para depois encerrarem em beleza com a única explosão do set com "10 Mile Stereo".
Não se pode dizer que foi um concerto brilhante, mas os simpáticos Beach House até que se esforçaram por isso, e mereceram todas as salvas de palmas que receberam.

A foto é da autoria de João Ruivo.

terça-feira, 16 de março de 2010

Yo La Tengo @ Casa da Música, 15/03/2010

Na noite de ontem, a sala Suggia (nome atribuído em memória de Guilhermina Suggia, famosa violoncelista portuguesa) encheu para receber os Yo La Tengo. O motivo era a edição no ano passado de Popular Songs, o décimo segundo álbum de originais e um dos mais brilhantes das suas, já longas, carreiras. A juntar a isto algumas centenas de fãs devotos que já suspiravam por um concerto deles há já algum tempo.
Yo La Tengo foram sempre uma banda fiel aos seus princípios, que nunca precisaram de se "vender" para ganhar notoriedade. Eles são aquilo a que se pode chamar de um cruzamento entre Belle and Sebastian e Sonic Youth: assim, o concerto de ontem teve momentos ternos ("When It's Dark") e desvarios de guitarra ("We're An American Band"). Logo na  segunda música apareceu um dos melhores momentos da noite: "More Stars Than There Are In Heaven", onde durante longos minutos se travaram batalhas de notas rigorosas, onde a perfeição era uma constância. 
O concerto teve quebras, quebras essas que são propositadas e advêm do estilo não muito constante dos Yo La Tengo, que ora estão a dar uma de baladeiros para depois mergulharem em insanidade sem preconceitos, a distorcer guitarras como eles bem sabem fazer. Posto isto não se percebe o porquê de algumas pessoas terem saído durante a sessão megalómana de "Little Honda", onde a duração da faixa foi largamente estendida para dar azo à imaginação de Ira Kaplan na guitarra, bem acompanhado pelos restantes membros do colectivo. Mas que belo momento.
Nos momentos mais agitados foi onde o concerto ganhou mais alma, e a transição para as músicas mais "light" era de tal forma brusca que até o ouvido se ressentia de tamanha diferença, e estranha que era a mudança de guitarra eléctrica para viola acústica de seguida. Os músicos foram trocando de posições ao longo do concerto, tocando diversos instrumentos, cantando todos eles igualmente, se bem que não será a voz o maior tesouro guardado por eles. Os encores, esses, foram dois, aparecendo a desejada "Sugarcube", o seu maior êxito.
Foi um concerto acima de tudo competente, com quase duas horas de duração onde eles deram tudo o que tinham e o que não tinham, que encantou a plateia assistente. Porventura um concerto mais homogéneo, com um ritmo mais constante, resultaria melhor na fotografia, mas Yo La Tengo são assim, imprevisíveis, e nós gostamos deles assim.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Venha essa semana de luxo

Dia 15

Yo La Tengo
Casa da Música
21:30
Dia 18

Beach House
Centro Cultural Vila Flor
22:00

domingo, 14 de março de 2010

Barulho da Semana: Joanna Newsom "Have One On Me"

Joanna Newsom - Have One On Me [2010; Drag City]

myspacesite

Género: Folk/Singer-songwritter/Avant-garde
Origem: EUA
Parecido com: CocoRosie, Cat Power, Björk, Joni Mitchell
Faixas em destaque: Have One On Me, '81, Good Intentions Paving Company, On a Good Day, In California, Go Long, Soft As Chalk


Este era um dos álbuns mais esperados para este ano de 2010, não só pelo atitude audaz de Joanna Newsom ao produzir um álbum triplo, não muito comum no estilo praticado, mas também porque as duas obras até agora editadas, Ys e The Milk Eyed Mender, eram de uma qualidade avassaladora. Como se de um conto de fadas tratasse, continua a aplicar a sua formula musical onírica, sem fantasmas por perto, e que proporciona boas horas de prazerosa audição. O que mais distingue Joanna Newsom das demais cantautoras será a maneira delicada como toca a sua harpa, transformando-a num instrumento pop irrepreensível. Sendo uma artista singular, a única que se consegue aproximar da sua figura será Sierra-Rose das CocoRosie, se bem que a toada seja mais alternativa.
A sua voz parece não perder a pureza de menina-do-coro-de-igreja: "'81" faz jus às capacidades vocais de Joanna Newsom, a qual a voz se tem aproximado da Joni Mitchell. O momento mais pop do álbum acontece em "Good Intentions Paving Company", com um piano ritmado acompanhado de uma bela harmonia vocal, que desemboca com um trombone final. As faixas são de uma duração incerta, indo dos escassos minuto e qualquer coisa até aos 11 minutos: "On a Good Day" é a de mais curta duração, mas é aquela que estabelece a ponte entre o anterior álbum Ys e da qual resulta a mais bela canção de amor do álbum. Um dos pontos mais incríveis neste disco é que, apesar dos seus 123 minutos de duração, não se conseguem vislumbrar espaços de vago, qualquer coisa que faça o ouvinte a carregar no botão skip, ou mesmo stop. Para isso aparecem maravilhas como "In California" ou "Go Long", em que nesta ultima somos enfeitiçados pela harpa que Joanna Newsom teima em não falhar uma nota que seja.
Com Have One On Me Joanna Newsom arriscou, e o resultado foi uma obra de excelência, de que pouca gente é capaz, e que até agora não tem rival, neste ainda curto ano de 2010.



Four Tet "She Just Likes To Fight"

sábado, 13 de março de 2010

Para hedonista saborear

 

Ariel Pink é uma personagem estranha: a julgar pelas suas fantasmagóricas faixas disponibilizadas no respectivo myspace, que só podiam ter visto a luz do dia pela Paw Tracks, editora da irmã de Avey Tare dos Animal Collective. Ariel Pink surge agora com um som mais limpo, através de "Round and Round", este novo single e soando a clássico dos anos 70. 
A grande oportunidade de Ariel surge este ano através da 4AD, editora reputada e das quais fazem parte Scott Walker e Tv On the Radio, que contratou os seus préstimos. Mas a 4AD não brinca em serviço, e se o contratou foi porque tinha mesmo razão de o ser. Espera-se pois, de Ariel Pink, nada mesmo que maravilhas, algo que possa fazer diferença na actual realidade musical. O novo álbum irá aparecer por altura da primavera.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Um mãos largas

Ao nono álbum de estúdio dos Rolling Stones - Sticky Fingers - Mick Jagger convidou Andy Warhol para fazer o design da capa, a qual teve fotografia de Joe Dallessandro
Mesmo tendo sido alertado (como indica a carta abaixo) por Mick Jagger, para não fazer uma capa complexa, Warhol produziu à mesma o que queria, chegando mesmo a riscar algumas das cópias que lhe tinham sido fornecidas.



Resultado do trabalho:


via lettersofnote.com

Já vi beatboxers com classe, mas isto...

... é brilhante! Um rapaz a tocar guitarra com a boca:

terça-feira, 9 de março de 2010

O disco nunca soou tão bem

Mas que pegajoso este novo single dos norte-americanos Yeasayer. Em baixo segue parte da letra, visto que isto é propício a cantorias.



Hold me like before
Hold me like you used to
Control me like you used to

No
You don't move me anymore
And I'm glad that you don't
'cause I can't have you anymore

Bowie, estás aí?

O sucessor do belíssimo álbum de estreia dos MGMT Oracular Spectacular, está agendado para sair dia 12 de Abril e irá intitular-se Congratulations. Esse álbum irá contar com a produção de Peter Kember (Spacemen 3, Spectrum) e mistura de David Fridmann, que já colaborou no 1º álbum e é habitual colaborador dos Flaming Lips.MGMT afirmaram não querer fazer mais um álbum para singles, a ideia de ver toda a gente a cantar as suas músicas não lhes deve ter agradado muito. É provável que apareça um álbum mais "crescido" e mais difícil de entranhar. Pela amostra abaixo está visto que continuam fieis a Bowie. A faixa "Flash Delirium" encontra-se disponível para download legal aqui.


Alinhamento:

"It's Working"
"Song for Dan Treacy"
"Someone's Missing"
"Flash Delirium"
"I Found a Whistle"
"Siberian Breaks"
"Brian Eno"
"Lady Dada's Nightmare"
"Congratulations"

 "Flash Delirium"

A caminho da glória

Joanna Newsom, a artista feminina que possui um dos discos mais ambiciosos deste inicio de 2010, apresentou ao vivo na passada semana no programa do Jimmy Fallon uma primeira amostra - "Soft as Chalk". Cada vez melhor, é o que se pode dizer.

Four Tet tem mãos de ouro


Foi precisamente a partir de uma remistura que conheci este indivíduo: álbum de versões dos Kings of Convenience. Ainda a promover o seu novo álbum There is Love In You, o Four Tet dá agora uma ajuda a Pantha Du Prince, com uma versão para o single "Stick To My Side", que também tem a colaboração de Panda Bear, e que aqui a transporta para outra dimensão, com uma percussão mais preenchida, motivo para bailarico.

segunda-feira, 8 de março de 2010

João Coração @ Café Concerto da Casa das Artes, 06/03/2010

Pelo café concerto da casa das artes de Sábado passou um daqueles artista que, ou se percebe, ou então não vale a pena: João Coração. É um músico que faz parte da editora mais amada e odiada de Portugal, a Flor Caveira. Este é, de todos os artistas pertencentes à editora, o menos sério, o mais boémio. Diz-se isso porque João Coração não pode ser levado completamente à letra, com a seriedade que normalmente se impõe, tem que se explorar toda aquela ironia latente e que faz a base do seu estilo musical.
O concerto foi iniciado com um João Coração a solo, demonstrando algum nervosismo, e erradamente desculpando-se à priori por qualquer falha que possa cometer, visto estar bastante cansado. Verificou-se que, falhas, nem vê-las. Depois de umas baladas primaveris como "Sofia" e "Abalada", juntaram-se a ele o cão da morte e o coelho radioactivo, que lhe foram ajudar nas teclas, percussão, guitarra eléctrica e coros. Com a ajuda destes novos elementos o concerto ganhou ainda mais motivos para a comédia: o cão da morte revelou-se uma figura com um grau de comicidade apurado. Quando é referida aqui a comédia, e sobretudo relacionado com o Coração, ela é vista como um ponto positivo, que abona muito a favor do espectáculo. Porque, ao contrário de que muito boa gente pensa, um concerto não se faz só de musica pela musica, o entretenimento é algo que deve ser tido muito em conta, e que infelizmente é uma parte mais desfavorecida nos normais concertos. Pois é no entretenimento que Coração é exímio, um entertainer por excelência. A juntar ao entretenimento João Coração detém canções como "Passo a Passo", pop pegajosa que em palco obtém os coros preciosos dos dois músicos ajudantes, e a contraditória "Dobra", que protagonizou o momento alto da noite.
Quando Coração larga a guitarra e se concentra apenas no microfone, aparece um Serge Gainsbourg sedutor, adaptado aos costumes populares de um Tony Carreira (leia-se, em versão gozo). João Coração confessou que, não raras vezes, pega em musicas estrangeiras e traduz à letra para o português: uma delas é "Muda que Muda", inspirada nos Talking Heads, e que na noite de Sábado foi tocada com toda a pompa e circunstância, digna do hit de verão que foi. No encore apareceu com a "Balada de Uivos", desta feita sem amplificação, encerrando um belo espectáculo.
João Coração é um cantor popular para pessoas com bom ouvido, que sabe colocar o público na dose certa de boa disposição e que ainda oferece uma tirada de canções com muito bom gosto.

A fotografia é da autoria de Vera Marmelo.

domingo, 7 de março de 2010

Um artista ímpar

 Mark Linkous
  (1962 - 06/03/2010)

you are, you are my daisy
you're my lullaby
come sun up my dogs will fade to
honeysuckle and clear moonshine
she was, she was my black earth
and the fire in my spine
her magnetic waves gave birth
i was the one who loved you most
but you can't put your arms around a ghost

some sweet day you will be mine, you'll be mine
some sweet day you will be mine, you'll be mine

we can, we can go home soon
over the cold old sea
her lover is in the old moon
oh, to kiss her knobbly knees
know she's laughing underwater
her pain's gone away
we drank whiskey like our fathers
born to return back to the clay
my love for you girl will never decay

some sweet day you will be mine, you'll be mine
some sweet day you will be mine, you'll be mine

where did you go, up to the sun?
where are you now, part of the sea in every drop
or did you simply stop?

some sweet day you will be mine, you'll be mine
some sweet day you will be mine, you'll be mine 

           
Sparklehorse - Some Sweet Day

Barulho da Semana: The Strange Boys "Be Brave"

The Strange Boys - Be Brave [2010; Rough Trade]

myspace | vídeo | site

Género: Classic/Rock/Garage
Origem: EUA
Parecido com: Black Lips, Chuck Berry, Bob Dylan
Faixas em destaque: A Walk On The Beach, Be Brave, Night Might, All You Can Hide Inside


Mas que "crescidela"! Após um álbum jovial e urgente - The Strange Boys and Girls Club - o primeiro da carreira, em que seguiam algumas das pisadas dadas pelos Black Lips, em Be Brave crescem uma vintena de anos e decidem brincar aos clássicos. Ao vocalista Ryan Sambol até lhe pode ter crescido mais barba, mas aquela peculiar voz de looney tune veio para ficar: é sem dúvida a imagem de marca deste conjunto. Be Brave acrescenta novos componentes: a primeira faixa "I See" é toda ela construída à volta de uma linha de harmónica; no tema título, entre outras, existem solos de sax, protagonizados pela estreante no grupo - Jenna Thornhill - já conhecida pelos desvairados solos na sua anterior banda Mika Miko; por último, o piano, bem notório em "The Unsent Letter". A par destes novos componentes existe uma maior cuidado com as letras, as quais Ryan Sambol deu a devida atenção.
Este disco pode ser entendido como contendo duas partes: a faixa que faz a divisão das mesmas é "Night Might". O riff de guitarra da faixa demarcadora apresenta ares dos sixties mas tem paladar totalmente actual: sem duvidas nenhumas a nata deste disco, na qual os Strange Boys mostram o seu verdadeiro talento. Sendo a primeira parte toda ela dedicada à electricidade, é aqui que eles se aproximam mais do que apresentaram no seu primeiro álbum. Na segunda parte a velocidade é reduzida drasticamente, e a electricidade só deve servir para iluminar os instrumentos. Em "All You Can Hide Inside" é revelado um outro lado de Ryan Sambol, sensível e terno. Esta parte acústica peca por ser longa em demasia, pondo a atitude enérgica da banda de lado cedo demais.
Be Brave é um álbum mais completo e mais estudado que o seu antecessor. Apesar dos 32 minutos de duração muita vida rola, contudo a magia pode estar mais escondida, rendidos que estavam aos sixties.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Instrumentais como este existem poucos.

Joe, estou contigo


A minha reação quando ouço Buraka Som Sistema também é muito parecida. Pois é Joe,  desiludiste-me com a tua sentença final. Mas não faz mal, continua, estás lá. Ah, e não te esqueças de dizer à Ann para tomar os comprimidos.

Sumo de laranja

O vídeo castiço que se segue é a mais recente amostra dos The Drums, que em breve irão lançar o seu primeiro longa duração (esta irá ser incluída no mesmo), e vem reforçar a ideia de que os Orange Juice (ver aqui) são uma das suas maiores referências. Esta música foi uma das primeiras a ser escritas por eles, e o vídeo foi realizado por eles, uma operação caseira. The Drums são cada vez mais uma banda a ter em conta no futuro panorama do Britpop.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Ó David, rendeste-me outra vez?

E não é que foi. Depois de no verão ter ouvido um single vomitado já antes de o ser "Cry 4 Love", levou-me a quase desistir de ouvir este novo disco. Mas num momento de loucura, lá decidi por ouvir esse novo álbum, e após varias audições posso considerar que sim, estava enganado. Between Waves, o disco em causa editado o ano passado, apresenta 6/11 músicas boas, o que até deve superar as do seu anterior álbum. Pois o que indiciava o single de apresentação foi de que ele se tivesse mantido no estilo do Dreams In Colour, o que realmente não aconteceu. A meu ver, single muito mal escolhido. 
Em Between Waves existem elementos novos: estilo mariachi, o elemento mais notório, e o psicadelismo (este já foi um avanço). A voz também está mais grave, mais profunda e as letras, essas, mantém-se na sua boa escrita. Porque David Fonseca é, acima de tudo, um melómano. Às suas referências maioritariamente oitentistas, vai buscar as ideias que compõe os seus álbuns: no caso do Between Waves os Talking Heads estão presentes; Kinks ("Stop 4 A Minute"), aquele ritmo não engana, e possivelmente os Yes ("Owner of a Heart").
"U Know Who I Am" é a canção que talvez poderá rivalizar com a sua melhor balada - "Hold Still". Apesar de que um dos grandes problemas reside nas suas baladas, essas em que a fórmula já começa a estar gasta: refiro-me a "It's Just a Dream II" e "Littles Things II". Palmas para "There's Nothing Wrong With Us", uma das melhores faixas que já compôs.
Resta esperar quando é que o David Fonseca se decide em arriscar, deixar as baladas gastas de lado, pois é provavelmente um dos músicos portugueses mais completos, só lhe falta mais arrojo.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Todas feitas.

Dediquem-se à...



É bom que estes artistas se dediquem a sério à produção de vídeos (estou com estes vizinhos)! Quem não se lembra desta maravilha? Eu não sei se têm álbum novo (esta música é nova), qual a tracklist ou capa do álbum, porque a música é o que menos interessa nos Ok Go, o vídeo é mesmo a essência.

São coisas...

LCD Soundsystem, Air, Hot Chip
2manydjs, Laurent Garnier, Booka Shade
Matthew Herbert's One Club, Fuck Buttons, Flying Lotus, 
Fat Fish, Uffie, Broadcast, Carte Blanche (DJ Mehdi & Riton), 
Delorean, The Slew featuring Kid Koala, Octa Push
Cora Novoa, Grobas , Viktor Flores, John Talabot, 
Ino, 6PM, Fluzo, BFlecha vs Mwëslee, David M... 

O cartaz da extensão do festival Sonar na Corunha está um abuso, tendo enquanto que esses mesmos 3 dias ficam pela módica quantia de 50€. Ele há coisas fantásticas. De notar também a presença dos portugueses Octa Push, que ainda vão dar muito que falar.

segunda-feira, 1 de março de 2010

O auditório vai ser pequeno

Gary Numan, artista com um legado bem generoso e que já influenciou directamente bandas como os Nine Inch Nails ou os Depeche Mode, vai marcar presença dia 28 de Maio na Casa das Artes de Famalicão, num concerto que se prevê memorável.


Panda Bear fica sempre bem

O filho bastardo do techno Pantha du Prince acaba de lançar o seu 3º álbum de originais Black Noise, através da editora inglesa Rough Trade. Depois do sucesso celebrado no anterior disco This Bliss, Pantha du Prince dá continuação aquilo que o fez ser reconhecido, com as atmosferas densas vindas de um techno pouco convencional, ao qual juntou um role de convidados que vão do Tyler Pope dos LCD Soundsystem ao Panda Bear, dos Animal Collective. Em baixo segue o vídeo de avanço, trabalho de Amaury Agier-Aurel, e que tem a participação de Panda Bear.

 
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