segunda-feira, 31 de maio de 2010

Folqueiros: prestem atenção


Vai estar presente dia 29 de Julho no Festival Paredes de Coura.

domingo, 30 de maio de 2010

Maria



Tarde de chuva, a península inteira a chorar
Entro numa igreja fria com um círio cintilante
Sentada, imóvel, fumando em frente ao altar
Silhueta, esboço, a esfinge de um anjo fumegante

Há em mim um profano desejo a crescer
Sinto a língua morta e o latim vai mudar
Os santos do altar devem tentar compreender
O que ela faz aqui fumando
Estará a meditar?

Ai, ui, atirem-me água benta
Ajoelho-me, benzo-me, arrependo-me, esconjuro-a
Atirem-me água fria
Por ela assalto a caixa de esmolas
Atirem-me água benta
Com ela eu desço ao inferno de Dante
Atirem-me água fria

Ai, ui, atirem-me água benta
Por parecer latina suponho que o nome dela
É Maria
É casta, eu sei, se é virgem ou não depende
Da nossa fantasia

Por parecer latina calculo que o nome dela
É Maria
É casta, eu sei, se é virgem ou não depende
Da nossa fantasia
GNR - Vídeo Maria

Fotografia: Frank Herholdt

Barulho da Semana: Anaquim "As Vidas dos Outros"

Anaquim - As Vidas dos Outros  [2010; Universal]

myspace | site

Género: Pop/Rock/Bluegrass
Origem: Portugal
Parecido com: Sérgio Godinho, Deolinda
Faixas em destaque:  As Vidas dos Outros, Na Minha Rua, O Meu Coração, Pobre Velho Louco


Anaquim, personagem criada pelo letrista e compositor José Rebola, é um sonhador dos tempos modernos. Em semelhança com Tom Sawyer de Mark Twain, é uma criança que tenta tirar o prazer máximo da vida, com muita diversão e companheirismo à mistura.O nascimento ocorreu por volta de 2007 e desde então não mais parou de crescer. 
As Vidas dos Outros é acima de tudo um tributo à boa música portuguesa: aqui reúnem-se distintos como Fausto, Sérgio Godinho e José Afonso. Há igualmente um aproveitar da boleia concedida pelos Deolinda. A crítica social está bem presente, em que pessoas se resignam às suas maleitas (existentes ou imaginárias), e invejam o bem dos outros ("As Vidas dos Outros", "Lídia", "Bocados de Mim"); descrições simples do quotidiano em "A Minha Rua" e "Pobre Velho Louco", aparecendo na primeira um excerto de "É Tão Bom" de Sérgio Godinho. Em "O Meu Coração" a vocalista Ana Bacalhau empresta a sua voz, num dos breves momentos altos do disco, e em "Monstros" há espaço para um momento Cão, de Ornatos Violeta.
Apesar dos alguns bons momentos de "A Vida dos Outros", este é um álbum que no imediato soa bem, mas que com o passar do tempo começa a tornar-se enfadonho e infantil em demasia. As letras e o instrumental estão bem conseguidos, a qual uma visão mais adulta de Anaquim só traria vantagens, tendo em conta também uma maior longevidade de encantamento pelo disco. Para começar não está mal, resta esperar que Anaquim amadureça.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Do Mundo para Portugal

Artista: AbztraQt Sir Q
Música: Extimolotion
Álbum: Extimolotion
Ano: 2010
Realizador do vídeo: PZ Pimenta

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Barulho da Semana: Avi Buffalo "Avi Buffalo"

Avi Buffalo - Avi Buffalo  [2010; Sub Pop]

myspace | site

Género: Pop/Rock
Origem: EUA
Parecido com: Pavement, The Shins
Faixas em destaque:  Truth Sets In, Whats In It For, Remember Last Time


A tenra idade de Avigdor Zahner-Isenberg (19 anos) não é limitadora no que concerne a fazer música. Neste seu álbum de estreia, sob o nome de Avi Buffalo, dá a impressão que tem já lançados dois ou três discos, e este iria servir como a sua obra especial. Pois bem, não foi preciso esperar quase nada para que isso acontecesse, e Avi Buffalo começa a tornar-se um caso sério da música pop/rock. A editora Sub Pop parece que depreendeu bem o talento deste artista, e assegurou desde logo os seus préstimos para este álbum de estreia (o ano passado aconteceu o mesmo com Fleet Foxes). Porque não há que enganar: são músicas directas ao coração, irrompidas por instrumentais majestosos e vocais delicados.
Dos sons harmónicos de "Truth Sets In" cedo nos apercebemos que Avi tem algo relevante para anunciar. "Whats In It For", que é o single deste álbum marca uma balada maravilhosa com tangentes a Pavement. A pop dos anos noventa é embrulhada com música melódica dos sessentas, e o resultado são faixas como "Five Little Sluts" e "One Last", tendo a ultima a ajuda de um coro feminino, de integrantes na banda: a partir daqui o verão será ainda mais feliz. Se o desejo são solos e amor em geral a solução será "Remember Last Time", onde Avi encarna um Santana dos tempos gloriosos, com um solo de guitarra apurado com todo o sentimento. Para o final temos "Where's Your Dirty Mind", o conforto final de um disco arrebatador.
Quase nem dá para a acreditar que isto foi feito por artistas ainda teenagers, mas as grandes bandas começaram assim.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Anos oitenta (não acabes)

Artista: The Drums
Música: Forever and Ever Amen
Álbum: The Drums
Ano: 2010
(crítica ao primeiro Ep aqui)

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Pequeno-almoço com toque africano

Artista: Os Pontos Negros
Música: Rei Bã
Álbum: Pequeno-Almoço Continental
Ano: 2010

Quinhentos

O tempo passa, e este blog já conta com quinhentos posts escritos. Com quase dois anos de existência, o estado de graça foi atingido este ano, com a nomeação pelo público de melhor blog de música no concurso Super Blog Awards. Este blog tem estado em crescendo de popularidade e assim espera que se mantenha.
A música irá continuar a ser o prato forte da casa, sempre com novidades, análises de álbuns e concertos, com possibilidade de vir a alargar os seus horizontes. Espero que o continuem a visitar, pois é para vós que ele também existe.
A musica que se segue é uma das preferidas da casa, e faz todo o sentido para marcar este momento.
The Beatles "Getting Better"

quarta-feira, 19 de maio de 2010

As Portas da Percepção

Aldous Huxley naceu a 1894  em Inglaterra, junto de uma familia abastada. Antes de se dedicar a fundo à ficção, foi no jornalismo, critica e a dramaturgia que se iniciou. Foi com Admirável Mundo Novo (1931) que Huxley alcançou o seu maior sucesso, livro esse que retrata uma hipotética sociedade de futuro, onde se fala de uma geração in vitro, organizada por castas e mantida em estado de passividade.
Aldous Huxley é o pai da cultura psicadélica. Foi em 1953 e com 58 anos que Huxley experimentou pela primeira vez a droga visionária mescalina. Antecipou-se aos outros cientistas que, por medo, não quiseram que a droga influenciasse o seu pensamento. Neste livro retrata as suas experiências com a droga e seus efeitos, sob a inspecção de um psicólogo. Também é feita uma reflexão ao sentido da vida, e o porquê de estas drogas serem, ou não, necessárias.
Como espécie de adenda a este livro vem um outro intitulado Céu e Inferno, onde o autor se concentra em experiência visionárias naturais: a arte, religião, e sacrifícios tais como o jejum e auto-flagelação , que experimentam visões relevantes.
Muitos foram os que se inspiraram neste livro. A titulo de exemplo a mítica banda The Doors foi buscar o seu nome ao livro de Huxley. Um verdadeiro marco na literatura inglesa e que nesta edição portuguesa apresenta uma tradução de Jorge Beleza com notas que ajudam a boa compreensão desta obra. O prefácio de Luís Torres Fontes também se encontra magistral.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Avi Buffalo "Remember Last Time"

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Quem os viu e quem os vê

domingo, 16 de maio de 2010

Barulho da Semana: Olive Tree Dance "Didj Dance All Beauty!"

Olive Tree Dance - Didj Dance All Beauty!  [2010; Natural Groove]

myspace | site | Ep Urban Roots - gratuito

Género: World Music/Tribal/Trance
Origem: Portugal
Parecido com: Wild Marmalade
Faixas em destaque:  Tea Tree, Ketama Mountain, Viva o Malhão! 


O didgeroo é o futuro. Assim pensam os Olive Tree Dance nesta sua aposta por uma musica diferente, com um instrumento ainda pouco ou nada explorado pela cultura europeia, que apresenta diversas potencialidades. É de origem australiana, de suas tribos indígenas, e denomina-se como sendo um aerofone, isto é, aparelho onde o som produzido advém da vibração do ar. O truque está no controlo da respiração e na vibração dos lábios.
Ao didgeroo junta-se uma bateria e uma serie de instrumentos de percussão, que possibilitam o trance orgânico como modo de vida e de expressão comum. O resultado são quase 75 minutos de dança frenética, com muito poucas pausas, um caminhar certeiro rumo ao infinito. Quem não se der bem com o seu coração pode pôr desde logo de lado a hipótese de ouvir Olive Tree Dance; ou então habilita-se a levar com uma descarga de adrenalina tal que lhe vai deixar sem conserto.

Clubbing Maio, Casa da Música, 15/05/2010

A noite de sábado não transparecia qualquer sentimento de que iria ser mais um Clubbing: Gil Scott-Heron, herói do blues iria fazer deste um Clubbing especial, ou não fosse ele um dos melhores nomes que por lá já passaram. Nas bilheteiras o nada surpreendente "esgotado" figurava nos ecrãs, e algumas pessoas com o desanimo em sobrecarga foram comprar o bilhete para "os outros espaços".
De regresso, após um longo período de ausência, Gil Scott-Heron lança um álbum que lhe oferece uma outra vida, uma resposta feroz aqueles que comentavam o seu desaparecimento, como se tivesse deixado de existir. Qual quê, I'm New Here é já apontado como um dos melhores álbuns do ano, e um dos melhores da sua carreira.
A noite ficou entregue a I'm New Here, essencialmente, mas também com alguma passagens por clássicos seus. Nas primeiras músicas apareceu a solo, só ele e o seu piano Rhodes, começando o seu discurso e transformando a Sala 2 num Speakers' Corner portuense.Quando os seus companheiros de palco se juntaram o espectáculo ganhou outro animo. Glenn Turner nos teclados e na harmónica e Tony Duncanson na percussão, companheiros de longa data de Gil, e de qualidade bem acima da média. Foi já no formato banda que se fez ouvir "We Almost Lost Detroit", em que o género spoken word expressou a sua cadência num rejubilo. Ao ritmo de palmas, solos de harmónica e manifestos anti-guerra o concerto foi ganhando forma e cada minuto passado adensava a atmosfera. "I'll Take Care of You", a preferida de Gil deste novo álbum também abrilhantou a noite, deixando algumas miúdas suspirar com as palavras românticas de Gil. Foi em jeito de celebração que "The Bottle" encerrou a noite debaixo de uma ovação grandiosa, e fez-nos olhar para o céu por nos ter permitido assistir ao concerto (duas horas depois de ter partido para Portugal os voos começaram a ser cancelados, devido ao vulcão islandês). Magnifico.

Depois do concerto de Gil, a sala como que se esvaziou para receber os Mind da Gap. Não se sabe se porque nos pratos estava o senhor Prins Thomas (que por sinal estava com boa música), ou se não se reviam no hip-hop desses senhores. Eram mais as camisas que as palas-a-apontar-para-o-infinito, criando um ambiente atípico para esse concerto, num género que em Portugal sempre precisou de se destacar dos demais estilos musicais, optando por uma cultura narcisista independente de tudo o resto. Se a atitude tivesse sido outra, talvez o hip-hop nacional tivesse outra relevância.
Os Mind da Gap souberam gerir bem as suas carreiras, contam com já 17 anos de carreira e são do que melhor temos de hip-hop em Portugal. Contudo, desde o lançamento de A Verdade que a carreira tem vindo cair a pique, onde se espera que o álbum novo - Essência - revitalize a boa banda que já foram. Os convidados foram de luxo, Valete e Maze dos Dealema, mas a ambiência não foi a melhor. Palmas a medo, agravado pelo facto de não estar muito publico presente, e algumas desistências ao longo do concerto não ajudaram ao espectáculo. Os momentos altos aconteceram em "Falso Amigos" e "Dedicatória", as duas melhores musicas deles, já velhos clássicos. "Todos Gordos" encerrou o espectáculo, e fez-nos perceber que Mind a Gap já foram grandes: resta agora saber qual vai ser o efeito da Essência.

sábado, 15 de maio de 2010

Muito provavelmente, o álbum do ano

Sem mais, nem menos: dia 8 de Junho ele estará nos escaparates, e promete dar que falar. Dá pelo nome de Before Today, e representará uma coça forte naquilo que estamos habituados a ouvir. Se o duvidam podem ouvir o que Ariel Pink fez a "Light My Fire" dos Doors, para perceberem melhor do que se fala. Depois podem ver de seguida a sessão feita para a sua editora 4AD, onde apresentam uma mão cheia de novidades. É para apreciar, com calma.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Revivalista


(Via P4K)

Artista: Here We Go Magic
Música: Collector
Álbum: Pigeons
Ano: 2010
Realizador do vídeo: Nat Livingston Johnson

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Porquê tanta euforia?

Em 2008 desloquei-me ao CCVF para ver de perto o fenómeno The National, decorrente do lançamento do álbum Boxer, que a critica recebeu com toda a pompa e circunstancia. Não considerei um álbum fantástico e ainda agora não o considero. Pois bem, a crítica que fiz a esse concerto ainda se mantém actual: continuo a não perceber o porquê de serem considerados uma grande banda.
Acabou de ser lançado um novo disco, High Violet, o quinto álbum das suas carreiras, e como que duplica o alarido que se fez sentir com o Boxer. Como manda a lei dos discos difíceis, ouvi-o quatro vezes (e em dias distintos), e continuo a afirmar: não percebo o endeusamento da crítica perante esta banda. O som deles não tem nada de novo, reflecte as sonoridades de Joy Division e Tindersticks e não alcança mais, fica sempre na sombra destes. High Violet fica-se pela categoria do bom, agraciado pelas faixas "Terrible Love" e "Afraid of Everyone". Conseguiu, ainda assim, elevar-se qualitativamente em relação ao seu antecessor.
Como até agora ainda não fizeram nenhum álbum relevante, que tivesse marcado definitivamente, porque razão os consideram a melhor banda do mundo? Porque se isto é a melhor banda do mundo, eu vou ali e já venho. E no final de contas, o mais certo é que daqui a dois meses já ninguém se lembre deles.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Sem papas na língua

"I'm mystified by the laziness of people looking at how she (Lady Gaga) presents herself, and somehow assuming that implies there's a high level of intelligence in the songwriting. Her approach to image is really interesting, but you listen to the music, and you just hear glow sticks. Smart outlets for musical journalism give her all this credit, like she's the new Madonna [...] Although I'm coming from a perspective of also thinking Madonna is not great at all. I'm like, fair enough: she is the new Madonna, but Madonna's a dumb-ass!"

excerto retirado daqui.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Melodia B

O compositor, letrista, multi-instrumentista e cantor Bernardo Fachada está para editar um novo EP a finais de Junho intitulado Há Festa na Moradia. Ao vivo já começou a ser desvendado, e no vídeo que se segue encontra-se a faixa "As Canções do Sérgio Godinho". É a típica melodia do B, que teima em não errar.

domingo, 9 de maio de 2010

Barulho da Semana: AbztraQt Sir Q "Extimolotion"

AbztraQt Sir Q - Extimolotion [2010; Meifumado]

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Género: Pop/Experimental/Avant-garde
Origem: Portugal
Parecido com: Pop Dell'Arte, Blonde Redhead, Deerhoof
Faixas em destaque:  Extimolotion, Amamim, Hero Won Heaven


Tentar descobrir uma identidade para o som dos AbztraQt Sir Q é tarefa impossível. Arranjar alguma portugalidade também não é fácil, porque não é, de todo, directo: pode-se recorrer a Pop Dell'Arte, que emprestou algumas ideias a estes indivíduos. A partir daqui é tudo novo, um Portugal situado no Oriente, grassado pelas descobertas de Vasco da Gama. Um admirável mundo novo de ideias que se balanceiam pelo urbano e o cosmopolita.
"Extimolotion" começa o disco em modo caos, decretando desde logo o fim do mundo; "Pazzion" faz a menção possível a Espanha, com o som de castanholas a marcar o primeiro ritmo; em "Hero Won Heaven" a vocalista dá uso à voz para marcar a cadência de toda uma canção, a melhor do disco; "Pin&PuQ" é opera experimental, com uma estrutura deveras peculiar; "Bone You Feel" encerra o disco num magnifico jogo de palavras.
Ao segundo disco de originais os AbztraQt Sir Q revelam-se como um valor nacional de alto calibre, à espera do merecido reconhecimento. É uma pena que isto possa passar despercebido no nosso país, mas é uma situação muito provável de acontecer. Há que cruzar os dedos e esperar pelo sinal do além.

sábado, 8 de maio de 2010

Apaixonante

Este jeito tão delicado da Joanna deixa-me sem reacção e fôlego. Alguém que lhe explique que não se pode ser assim, tão frágil.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Barulho da Semana: Bonnie 'Prince' Billy & The Cairo Gang "The Wondershow Of The World"

Bonnie 'Prince' Billy & The Cairo Gang - The Wondershow Of The World [2010; Drag City]

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Género: Folk/Country/Rock
Origem: EUA
Parecido com: Neil Young, Magnolia Electric Co., Califone
Faixas em destaque:  Troublesome Houses, Teach Me to Bear You, Where Wind Blows


Nestes últimos anos Will Oldham, nome próprio de Bonnie 'Prince' Billy, tem conseguido a impressionável marca de dois álbuns por ano. É certo que nem todos são obras-primas, mas de falta de inspiração ninguém lhe pode acusar. A verdadeira pérola apareceu no ano de 1999, quando do fundo de um poço (quase literalmente) retirou o I See Darkness, a sua obra maior, e que ainda hoje é saudada. Depois disso viveu sempre com a sombra deste seu êxito, mas concluindo ainda alguns álbuns de relevo posteriormente. 
Este ano decidiu creditar a banda The Cairo Gang na capa do disco, que já havia colaborado com Bonnie 'Prince' Billy em álbuns anteriores. Em The Wondershow Of The World Oldham aparece com a dose habitual de amor sofrido, naquelas letras tão sinceras e acertadas de que poucos são capazes. Para isso basta pegar em "Troublesome Houses", que conta a história de obsessão pelo perigo e o mal, que causa o afastamento dos seus entes mais queridos; "Where Wind Blows" fala de um amor não correspondido, e da insegurança que lhe assola. A cereja encontra-se em "Teach Me to Bear You", que aliando ao eloquente discurso fatalista de Oldham ao instrumental magistral da The Cairo Gang, obedece a todos quês de uma boa canção americana, que finda com um solo final deslumbrante, digno de um Neil Young.
Um punhado de boas canções faz deste mais um bom álbum de Bonnie 'Prince' Billy. Passar ao lado da discografia deste senhor é um erro crasso. Se o fizeram até agora, aconselho a corrigir essa falha.
 
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