segunda-feira, 28 de junho de 2010

Barulho da Semana: Acid Mothers Temple & The Melting Paraiso U.F.O. "In Zero to Infinity"

Acid Mothers Temple & The Melting Paraiso U.F.O. - In Zero to Infinity [2010; Important]

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Género: Rock/Psychedelic/Experimental
Origem: Japão
Parecido com: Hawkwind, Can, Ash Ra Tempel
Faixas em destaque:  In 0, In ∞


Acid Mothers Temple são uma instituição psych-rock do Japão. Formados em 1995, Acid Mothers têm conseguido a impressionante marca de três/quatro álbuns por ano (variando nas editoras). São, portanto, uma banda atípica e singular, que defende a tese do "álbum conceptual" como ninguém. Kawabata Makoto é o mentor deste projecto, e teve como objectivo-primeiro criar "extreme music trips", influenciadas pelo Krautrock.
In Zero to Infinity é a continuação de um álbum de 2001 intitulado In C, que consistia numa versão de uma composição de Terry Riley ("In C"), artista de expressão clássica e minimalista. Este álbum está dividido em quatro partes, rondando todas elas os 18 minutos. "In 0" abre o álbum  em reverb constante, sendo a bateria o pano central da peça. Em "In A" somos transportados para uma espécie de macumba, com espíritos, mas sem o tambor que se exigia. De seguida, em "In Z", entramos num túnel do tempo e descobrimo-nos num planeta distante e estranho."In ∞" é a faixa mais acessível e encarna a alma prog-rock em toda a sua força, com free-jazz em delírio constante. Esta é daquelas bandas que vale a pena dar uma olhadela, nem que seja só pela experiência.

domingo, 27 de junho de 2010

Chillwave's eyes



Artista: Animal Collective
Música: Guys Eyes
Álbum: Merriweather Post Pavillion
Ano: 2009
Realizador do vídeo: Joey Gallagher

sexta-feira, 25 de junho de 2010

A era do post-qualquercoisa

É do conhecimento de todos que a música tem estado em constante mutação. Após épocas marcadamente pop, rock ou folk, surge-nos a era do post-qualquercoisa. Não havendo mais nada para inventar, ou então por falta de imaginação, deparámo-nos com um cenário de caos musical. Antigamente uma banda que se prezasse teria de escrever letras de categoria, com uma voz condizente. Hoje em dia isso não acontece: a pegar no recente exemplo do lo-fi, o barulho aleatório é o que nos chega aos ouvidos. Algum dele faz todo o sentido, conseguindo-se registar melodias agradáveis, mas grande parte não passa do medíocre. Depois temos a moda new-rave e afins, que detêm uma vasta legião de seguidores - trash addicts. O drone e a electrónica minimal também estão em alta. São tudo géneros de extremos, estando-se tudo a desviar dos ensinamentos passados, deixando cair alguns dos principais mandamentos. 
Uma das respostas a esta situação está relacionada com a actual crise do mercado discográfico: não se podem fazer letras complexas e que necessitem de grande atenção para as compreender. Há que fazer refrões fáceis e catchy, que entrem logo na cabeça, e uma batida que contagie, nem que para isso se tenha que exagerar no volume e abusar na repetição, em adenda, e assim obter mais êxito comercial. Têm aparecido álbuns bons, mesmo dentro das categorias acima enunciadas, mas reservam-se sérias duvidas se será isto o futuro da música. As perguntas que se colocam são: quando é que se volta a ouvir vozes de fazer cair o queixo? As letras vão definitivamente ser deixadas para segundo plano? Será tudo isto caos passageiro?

A ideia do post surgiu depois de ler isto. Não podia estar mais de acordo.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Só para o caso de não terem percebido que este é um dos melhores álbuns de 2010



Artista: Harlem
Música: Someday Soon
Álbum: Hippies
Ano: 2010
Realizador do vídeo: Aaron Brown / Ben Chappel

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Pela amostra, espera-nos um álbum de valor



Artista: Interpol
Música: Lights
Álbum: Interpol
Ano: 2010
Realizador do vídeo: Charlie White

MGMT merecem todas as letras grandes

"Será isto um sonho?"; "WTF!!"; "Não pode."; estas são algumas das possíveis reacções à primeira audição do novo álbum dos MGMT, e de quem os vem seguindo de perto desde inícios da ainda curta carreira. MGMT tornam-se em 2010 o exemplo a seguir: uma banda que esquece por completo o mercado capitalista e dedica-se à arte de fazer música como gosta e sente.  É, na actual conjuntura económica, um desvario, mas, como boa banda que são, não irão certamente ficar pobres. Não conseguirão almejar o estatuto de milionários, mas irão aparecer nos bons livros de música. É troca por troca. Entretanto andam a apresentar o seu mais recente disco, e agora surgem em versão acústica, onde tocaram uma versão dos The Clean, para a Ohio radio station CD101. Enjoy.

terça-feira, 22 de junho de 2010

A ter debaixo de olho: Slow Animal

Preparem-se para vício. Slow Animal estão a chegar e prometem tirar um ou outro holofote actualmente ocupado a seguir de perto as aventuras dos Wavves. A moda pop lo-fi parece que não quer esmorecer, e é já actualmente partilhada por inúmeras bandas estabelecidas tais como Harlem, Dum Dum Girls ou Vivian Girls. Slow Animal vão engrandecer ainda mais este estilo e afirmam-se como potenciais líderes da trupe.  Eles vêm de Nova Jérsia, EUA, e são apenas dois: Alexander e Daniel. A tour ainda tem pouca expressão - meia duzia de datas nos EUA - mas em breve vamos ter mais notícias deles. É só esperar que o frasco de ketchup encha.
 
<a href="http://slowanimal.bandcamp.com/track/sitting-here">Sitting Here by Slow Animal</a>

segunda-feira, 21 de junho de 2010

A melhor deles.



O hype está a passar. Amén.

Amores veraneantes



Don't let the sun be the one to change you baby
I wanna learn how to love, if I'm to know
Cause I wanna go where the people go
Cause I'm forever lost
The Magic Numbers - Forever Lost 
Fotografia: Matiás Troncoso

domingo, 20 de junho de 2010

Barulho da Semana: Pop Dell'Arte "Contra Mundum"

Pop Dell'Arte - Contra Mundum [2010; Presente]

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Género: Pop/Experimental/Avant-garde
Origem: Portugal
Parecido com: Bauhaus, Scott Walker
Faixas em destaque:  Eastern Streets, La Nostra Feroce Voluntà D'Amore, My Rat Ta-ta


Quinze anos se passaram desde o seu ultimo trabalho e os Pop Dell'Arte continuam iguais a eles mesmos. João Peste e seus compinchas prosseguem a sua caminhada sem nenhum destino em concreto. A linguagem que criaram com Free Pop é já um legado de valor inquantificável, com declarações de amor além fronteiras. Porque Pop Dell'Arte não inovaram só em Portugal, a principal influência dos Pop Dell'Arte são eles mesmos e assim sendo não há que enganar: antes de eles aparecerem não havia nada disto.
Contra tudo e contra todos (será mais ou menos assim que o querem dizer) eles estão vivos. E vivinhos da silva. Contra Mundum não repete nenhuma fórmula utilizada, a espaços ouvimos Free Pop ("Ritual Transdisco"), mas é tudo com boas intenções. Com tanto tempo sem editar, este álbum revela um forte lado introspectivo, talvez mais do que nos anteriores álbuns e resulta em baladas como "Diary of  a Soldier" ou discursos cantados como "Noite de Chuva em Campo-de-Ourique" (esta não tem instrumental). Depois também temos ritmos tribais em "Eastern Streets" e uma escala de guitarra deliciosa de "Mr. Sorry". O ponto alto, esse, acontece quando João Peste nos trasporta para o conto de fadas de "La Nostra Feroce Voluntà D'Amore" e "My Rat Ta-ta": os Pop Dell'Arte não vieram só marcar presença, estas duas meninas são do melhor que já produziram. Arriba! Avanti Pop Dell'Arte.

Otários


(Via P4K)

Artista: Suckers
Música: Black Sheep
Álbum: Wild Smile
Ano: 2010
Realizador do vídeo: Todd Yeager

sábado, 19 de junho de 2010

Deolinda @ Theatro Circo, 18/06/2010

A casa cheia que se verificou no noite de ontem não foi surpresa nenhuma: já com Canção ao Lado abarrotavam auditórios por este país fora. Assim, e à partida para este espectáculo, a expectativa era de um concerto não menos que óptimo, sempre a roçar o brilhante. 
Ana Bacalhau, animal de palco invejável, apresentou-se com o mesmo à vontade que lhe conhecemos, sempre comunicadora e pronta para abanar a anca ao o seu belo jeito. O primeiro impacto da noite foi o novo guarda-roupa: para este novo álbum quiseram arrojar no visual, e adoptaram roupas futuristas, que em nada combinavam com o seu estilo; havia um marroquino com fones à maneira que tocava contra-baixo, um guitarrista com uma babete e um outro que tinha um colete ao estilo Lagerfeld - a vocalista, por estranho que pareça, ainda assim, era a que possuía o vestido mais terra-a-terra. 
Para um disco mais calmo, esperava-nos um concerto mais morno: mas qual quê? O concerto foi em dobro, rodaram o seu mais novo álbum e ainda tiveram tempo para todos os hits do primeiro. O novo álbum é realmente uma preciosidade: todas as novas músicas soaram no seu pleno, e em nada fazem chorar pelas cantigas ao lado. Uma das que merecem a sua nota é "Passou Por Mim e Sorriu": a interpretação foi irrepreensível, Ana Bacalhau impôs toda a sua alma, e pelo fim até se notou alguma emoção no seu olhar.
Felizmente que a Deolinda acalmou. Felizmente que se dedicaram a canções mais sérias, e com mais profundidade. Porque pelo que se passou na noite de sexta-feira, se a energia do primeiro álbum continuava podia-nos esperar mosh nesta tour. Sim - mosh. As palmas foram uma constante: ele era no inicio, no fim e musica sim e não, pelo meio. Não pode ser. A dada altura parecia haver mais um elemento nos Deolinda. Esse quinto elemento não tinha aparecido aos ensaios, e isso notou-se penosamente. Há que receitar a dose certa de palmas para que, ao mesmo tempo que se atribuiu a electricidade necessária à sala, não se descore o espectáculo em si mesmo. Mas nisso a Deolinda não tem culpa, o português comum é incapaz de se conter com tamanha entrega. Meus amigos, em Portugal não há melhor que isto. Comprovado.

sexta-feira, 18 de junho de 2010



LCD Soundsystem "Home"

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Só pelo minuto final à la New Order já vale a pena



Artista: Memory Tapes
Música: Bicycle
Álbum: Seek Magic
Ano: 2009
Realizador do vídeo: Jamie Harley

terça-feira, 15 de junho de 2010

Insano


(Via P4K)

Artista: The Flaming Lips
Música: The Sparrow Looks Up at the Machine
Álbum: Embryonic
Ano: 2009
Realizador do vídeo: Wayne Coyne/George Salisbury

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Barulho da Semana: Ariel Pink's Haunted Graffiti "Before Today"

Ariel Pink's Haunted Graffiti - Before Today [2010; 4AD]

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Género: Psychedelic/Pop/Rock
Origem: EUA
Parecido com: Xiu Xiu, The Magnetic Fields, The Doors, The Byrds, Fleetwood Mac, Pink Floyd
Faixas em destaque:  Bright Lit Blue Skies, Round and Round, Bevery Kills, Can't Hear My Eyes


Ariel Pink foi, até agora, um sujeito incompreendido. Talvez com razão, o som que ele produzia não era propriamente sedutor. Tudo o que Ariel Pink fez até este álbum foram ideias abstractas, compiladas em nove álbuns de estúdio (o primeiro data de 2004), e que necessitam de muita paciência e carinho para as compreender. Em 2010 deixou a abstracção e dedicou-se a músicas mais concretas, que pudessem ser palpáveis e inteligíveis na actualidade. Mas porquê tanto tempo para lançar um álbum assim? A resposta a esta pergunta está no facto de Ariel Pink ser um artista dos pés à cabeça, que não se deixa subjugar por convenções musicais, apenas faz a arte pela arte. Nos dias de hoje soa algo absurdo, mas é bom saber que ainda existem artistas de corpo inteiro.
Ariel Pink chama a este o seu primeiro álbum. É com Before Today que Ariel sai da toca e revela-se como um músico a temer. A fórmula consiste em maratonas de audições da pop dos '70s e '80s, e todos os seus hits que encaixam bem no radio do carro. O álbum numa primeira audição revela logo potencial para obra-prima, mas a conclusão final só é obtida após várias audições. Este é daqueles que requerem bastante atenção aos pormenores, que só se começam a descobrir à terceira ou quarta audição. A partir dái é tudo belo. Reminiscências dos anos 60 aparecem logo com "Bright Lit Blue Skies" (esta é uma cover dos Rockin' Ramrods), e assemelha-se a algo que os MGMT conseguiram fazer muito bem este ano. O duo "Fright Night (Nevermore)" e "Round and Round" activam as sentinelas new wave, com melodias que colam ao ouvido. "Bevery Kills" é o docinho requintado do disco no qual Ariel repete extasiadamente "Can't Stop the Press", com os respectivos trocadilhos derivados, e em "Butt-House Blondies" abraça um solo improvável (com gemidos à mistura). Na faixa "Can't Hear My Eyes" Ariel prova que também é capaz de fazer uma balada-para-fazer-meninos, para depois em "Menopause Man" se atirar à sátira - "Make me maternal, fertile woman/ Make me menstrual, menopause man/ Rape me, castrate me, make me gay/ Lady, i'm a lady from today" - e ainda dizer um olá a Michael Jackson. A fechar aparece o baixo de Peter Hook (Revolution's a Lie) e a missão estava mais do que cumprida. Se os Doors ainda estivessem activos, era assim que soavam.

sábado, 12 de junho de 2010

Bernardo Godinho

O encontro de B Fachada com Sérgio Godinho no passado mês de Maio é mais uma confirmação do grande talento de B Fachada, merecendo agora reconhecimento por parte de um dos mais ilustres cantautores portugueses. O som desta sessão está bastante fraco, mas o que importa retirar daqui é a cumplicidade existente entre os dois.




Para quem quiser conhecer melhor a pessoa de B Fachada, pode assistir a este vídeo inserido na rubrica "Primeira Pessoa" da revista sábado.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Duas visões distintas da MPB contemporânea em confronto na Sala Suggia


No dia 29 de Junho a Casa da Música vai receber dois talentos do Brasil que estão a dar que falar: Roberta Sá e Céu. Roberta Sá tem contribuído para dar vitalidade ao MPB tradicional, atribuindo contemporaneidade ao estilo. Assim vai pegando em êxitos do passado como "Alô, fevereiro" (Sidney Miller) ou "A vizinha do lado" (Dorival Caymmi), e interpreta-as à sua maneira. Para isso tem contado com a ajuda em velhas glórias como Ney Matogrosso ou Chico Buarque, que a têm ajudado nessa tarefa, colaborando em álbuns seus. Roberta conta já com dois álbuns de originais e um gravado ao vivo. Céu, por sua vez, decide modernizar a MPB, juntando-lhe elementos jazz e pop. É de frisar que Caetano Veloso já a considerou em 2006 "o futuro da MPB". Os seus dois álbuns até agora lançados têm sido muito bem recebidos pela crítica, e já este ano tem actuado em festivais de renome como Coachella e ainda irá marcar presença em Roskilde, depois da sua passagem por Portugal. O preço é de 15€.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

O dia em que o Indie morreu

A vida de Indie foi um constante reboliço. Não se pode dizer que tenha sido má, mas no que respeita à sua juventude o caso viu-se negro: o apoio foi escasso, o gozo era constante, um acordar de incertezas diário. À medida que foi ganhando maturidade, e foi conhecendo pessoas novas, a vida começou a sorrir-lhe mais. Por altura da sua juventude conheceu Dorian Gray, aquele que viria a tornar-se o seu melhor amigo. As conversas que tiveram foram inspiradoras, e assim ganhou maior confiança e força para enfrentar os demais problemas que se lhe opunham. Já na idade adulta, Dorian Gray morreu. A solidão assolou Indie, e uma tristeza profunda se lhe apoderou. Como um mal nunca vem só, o seu maior inimigo aparecia: Crisis. Indie começou a enfraquecer ainda mais, até que já começava a depender de terceiros para sobreviver. Um dia Indie não chegou a acordar, e não mais se ouviu falar nele.

terça-feira, 8 de junho de 2010

O fenómeno em formato teledisco



Artista: Ariel Pink's Haunted Graffiti
Música: Bright Lit Blue Skies
Álbum: Before Today
Ano: 2010
Realizador do vídeo: Steve Hanft

A atinar com o fogo

 
Arcade Fire "The Suburbs"

mais novidades aqui.

domingo, 6 de junho de 2010

Barulho da Semana: Deolinda "Dois Selos e Um Carimbo"

Deolinda - Dois Selos e Um Carimbo  [2010; EMI]

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Género: Pop/Fado/Folk
Origem: Portugal
Parecido com: Madredeus, A Naifa
Faixas em destaque:  Um Contra O Outro, Passou Por Mim e Sorriu, A Problemática Colocação de um Mastro, Patinho de Borracha


Os Deolinda são um fenómeno-banda que já não assistíamos igual desde o aparecimento dos Madredeus. É impressionante a adesão imediata e em massa que ocorreu aquando do lançamento do álbum de estreia Canção ao Lado (2008). Nem os mais optimistas deveriam antever tamanho reboliço provocado pelo álbum, e que encantou povos além fronteiras. Mesmo quem não estava habituado a salas de espectáculo e à vida cultural (o Zé Povinho é doutorado na arte de alapar o cú no sofá a ver TV), dirigiu-se a uma casa para os ver. A Deolinda não foi obra do acaso, é uma personagem com raízes portuguesas e pensada à imagem dos anos que se estão a atravessar. Com isto ela reflecte todos os problemas que assolam a população, e intensifica uma crítica social nada disfarçada e que faz mossa.
Se com Canção ao Lado eles se entregaram a canções-pop orelhudas que teimavam em não descolar do ouvido, em Dois Selos e Um Carimbo a velocidade foi drasticamente reduzida: tirando o single "Um Contra O Outro", todo o álbum é feito de matéria nova, uma Deolinda mais crescida e menos inocente. O disco cresce a cada audição e a rendição demora a acontecer. A faixa-chave é "Passou Por Mim e Sorriu", onde se aproximam de mansinho aos Madredeus e explicam ao que vêem: depois da euforia querem algum sossego, danças mais contidas, mas sempre com um sorriso no fim de cada música. As letras estão ao nível do primeiro e os arranjos instrumentais primam novamente pela originalidade, fazendo soar guitarra portuguesa quando na realidade não a têm.
Perde imediatismo mas ganha longevidade. São músicas mais dificeis de assimilar, com a virtude de que não se deixam gastar tão facilmente. Só ficou a ganhar.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Texturas

Há álbuns que só se fazem uma vez na vida, e Caribou fê-lo recentemente: trata-se de Swim, descrito pelo próprio como sendo música fluida, como se de água tratasse. Não é nada fácil ter o poder de visão de Dan Snaith; concretizá-lo, é, à partida, tarefa ainda mais difícil e arriscada. Caribou consegui-o, e executou de forma magistral, elaborando uma obra ímpar no género da electrónica, numa toada orgânica, e que irá de servir de modelo para outras bandas no futuro. 
A textura leve resultante de Swim foi devidamente percepcionada por Owen Pallett, que ao vivo anda a tocar a sua versão de "Odessa". Agora só falta uma orquestra numerosa e têm o épico feito.

 
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