sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Os melhores barulhos de 2011 - discos

20 Russian Red | Fuerteventura [Sony]
19 Panda Bear | Tomboy [Paw Tracks]
18 The Allstar Project | Into the Ivory Tower [Rastilho]
17 B Fachada | B Fachada II [MBARI]
16 Adele | 21 [XL]
15 Coldplay | Mylo Xyloto [Parlophone]
14 The Drums | Portamento [Universal]
13 Os Golpes | G [Amor Fúria]
12 Arctic Monkeys | Suck It and See [Domino]
11 Cut Copy | Zonoscope [Modular]

10 FOO FIGHTERS | Wasting Light [Columbia]
09 IRON & WINE | Kiss Each Other Clean [4AD]
08 FEIST | Metals [Polydor]
07 ADRIANA CALCANHOTTO | Micróbio do Samba [Sony]
06 JAMES BLAKE | James Blake [A&M]
05 BON IVER | Bon Iver [4AD]
04 B FACHADA | Deus, Pátria e Família [MBARI]
03 BATTLESGloss Drop [Warp]
02 RADIOHEAD | The King of Limbs [XL]
01 OS VELHOS | Velhos [Amor Fúria]

O ano de 2011, a nível internacional, foi de alguma boa qualidade, sem no entanto nos ter oferecido um álbum arrebatador. Radiohead deram continuidade a uma carreira que estabelece já um cânone referência a qualquer banda que ambicione altos voos. Em King of Limbs fazem um álbum intenso e desprovido de "singles", onde a música electrónica por eles observada em nomes como Burial ou Four Tet é aqui feita ao seu jeito e com o seu quê de inovador. É impressionante como se encontram em constante mutação de álbum para álbum e a qualidade se mantém sempre a um nível elevado.
Quando já estava anunciado o óbito do género rock, Foo Fighters brindam-nos com um disco que ninguém estava à espera e muito menos vindo de uma banda que já se encontrava em pré-reforma. Sendo assim, Wasting Lights assinala talvez o seu pico de carreira, um álbum rock com refrões memoráveis e onde as canções funcionam como um todo – e não como OVNIs no meio de um disco.
Bons discos no género folk, tais como os de Iron & Wine, Feist e Bon Iver, e depois um miúdo que dá pelo nome de James Blake. Como que vindo de planeta desconhecido Blake enfia um murro no estômago logo quando aparece a fazer uma versão de "Limit To Your Love" da Feist. A voz sofrida e no limbo da afinação entrou que nem uma bala no coração de muitos ouvintes. Ouvir "Where To Turn" de James Litherland – pai de James Blake – e depois a versão que fez em "Wilhelm Scream", repara-se numa sensibilidade musical extrema e a maneira como posteriormente auto-destrói toda a melodia é de trepar paredes. Aquelas pausas sufocantes ao longo das canções marcam um disco único, que apenas peca por um excesso de inconstância no álbum, ao longo do qual se perdem grande parte dos elos de ligação entre as músicas.
No espectro nacional, 2011 encerra um ano de elevada qualidade. B Fachada foi figura de proa, já um habitué nestas andanças dos topes, com o seu manifesto "Deus, Pátria e Família" afirma que não se reconhece numa "terra de amadores" onde com "algum paleio" se chega a um bom lugar na vida. É também um prototipo de hino de despedida a um país que perdeu a sua independência económica para outros. Por sua vez o seu segundo álbum homónimo não tem a qualidade desejável; talvez pelo pouco tempo que tem para preparar os álbuns – motivado pela ânsia dos 2 discos por ano – ainda assim apresenta dois bons pares de canções que perdurarão na história.
Depois com o carimbo da Amor Fúria apareceram mais bandas de muito valor: Os Capitães de Areia, ainda que aqui não incluídos, perspectiva-se algo de bom daqui para a frente; Os Golpes, que infelizmente na actualidade se encontram inactivos pois estavam a praticar a melhor pop portuguesa; mas a verdadeira surpresa foram mesmo Os Velhos. Ninguém se lembraria de ouvir um indivíduo a pregar a sua voz nas melodias nos sítios mais estranhos e no final resultar. É um estilo de músicas que se abraça com agrado logo à primeira audição e que ao longo do tempo sofrem uma maturação criando uma relação forte com o ouvinte. Instrumentais com energia e letras com melancolia, num álbum que no final culmina com "Maria diz", um desvario épico de dez minutos. Nada igual apareceu em Portugal nestes últimos anos, e, nesse sentido, Os Velhos encarnam a nova vaga de músicos portugueses com estaleca para vencer.

Os melhores barulhos de 2011 - músicas

30 Cuca Roseta – Porque Voltas de Que Lei
29 Dead Combo – Esse Olhar Que Era Só Teu
28 Coldplay – Don't Let It Break Your Heart
27 Lana Del Rey – Video Games
26 Russian Red – Memory Is Cruel
25 The Allstar Project – Neighbour Of the Beast
24 Black Keys – Lonely Boy
23 Washed Out – Amor Fati
22 Feist – The Circle Married the Line
21 Adele – Don't You Remember
20 Foo Fighters – Walk
19 Afonso Pais & JP Simões – A Marcha dos Implacáveis
18 The Rapture – How Deep Is Your Love
17 Dum Dum Girls – Bedroom Eyes
16 Capitães da Areia – Dezassete Anos
15 Real Estate –It's Real
14 Metronomy – The Look
13 Adriana Calcanhotto – Pode Se Remoer
12 Arctic Monkeys – Piledriver Waltz
11 Cut Copy – Pharaohs & Pyramids
10 Bon Iver – Perth
09 Os Golpes – O Amor Separar-nos-á
08 Gil Scott-Heron & Jamie XX – NY Is Killing Me
07 B Fachada – Está Na Hora da Passa
06 M83 – Midnight City
05 Iron & Wine – Walking Far From Home
04 Battles – Ice Cream (feat. Matias Aguayo)

03 Os Velhos – À Minha Alma


02 St. Vincent – Cruel


01 James Blake – The Wilhelm Scream

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Os melhores barulhos de 2011 - concertos

05 Jon Hopkins @ Festival Semibreve, 11/11/2011

04 Battles @ Festival Paredes de Coura, 19/08/2011

03 Joanna Newsom @ Casa da Música, 24/01/2011

02 Foge Foge Bandido @ Casa das Artes de V N de Famalicão, 02/07/2011

01 The National @ Coliseu do Porto, 23/05/2011

Haverá mais alguma banda na actualidade que transporte tanta emoção num cantar? Certamente que não; ou se sim andamos todos a dormir. Desde este concerto que estes senhores continuam numa boa senda de concertos, e mais novidades foram divulgadas, que indicam coisa boa para o ano de 2012. A caminho de ser enormes.

Notas:
A foto 5 está creditada a Adriano Ferreira Borges;
A foto 3 está creditada a Paulo Pimenta.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

A todos os interessados

Nasceu um novo blogue da minha autoria neste espaço, pelo que são todos bem-vindos a aparecer por lá, e tomar um copo.

sábado, 2 de abril de 2011

A melhor banda portuguesa da actualidade.

Os Golpes são um novo fenómeno da musica portuguesa. Não há volta a dar. O tema "Vá Lá Senhora" que foi primeiramente mostrado em Julho do ano passado ainda continua muito vivo nos ouvidos dos portugueses, e teve semanas a fio no top das musicas preferidas dos ouvintes da antena 3. É uma óptima canção, pois mesmo tendo sido excessivamente abusada na radio ainda continua com o mesmo esplendor. Rui Pregal da Cunha, líder dos Heróis da Mar, deu a sua bênção nesta música. É impressionante o número de visitas a este antigo post escrito aqui no blog, e há bastante tempo no top das visualizações. Meus amigos, Os Golpes vieram para ficar, vão certamente figurar nos "tops" por muito bom tempo.
O Ep G, que eles distribuíram especialmente em dois concertos no Porto e em Lisboa este ano, apenas era para ter ficado por aí, não fosse o tremendo sucesso de "Vá Lá Senhora": assim o G, que estava previsto ser apenas distribuído gratuitamente nesses concerto, teve honras de edição para venda, e chegou esta semana às lojas. E em bom tempo o fizeram, porque este novo Ep vem confirmar que o talento evidenciado no primeiro álbum tinha pernas para andar; as letras - o patinho feio do Cruz Vermelha Sobre Fundo Branco (2009) - foram melhoradas a 200%. Onde estão as fragilidades? Nem vê-las. Ao fim de algumas audições o single conhecido vai dando espaço às outras canções, e não mais saímos delas: "Campo de Santa Clara", uma sinfonia de guitarras ao despique de inicio a fim (ponha-se a negrito este "fim");  "O Amor Separar-nos-á" é a canção para gritar o mundo e a vida com versos inspiradores como "O rio Tejo é azul/o teu nome escrito é azul/o teu lábio no meu é azul". Também temos versões como Paixão, e que bem que os Heróis do Mar soam em 2011, e "Tenho Barcos Tenho remos", uma cantiga popular aqui muito bem tratada pelos Golpes.
No final ainda temos os instrumentais, mais dois, agora em "Agência Lusa" e "A Brasileira": que bem que eles penteiam aquelas guitarras (Pedro da Rosa está a tornar-se um guitarrista de classe sofisticada), acabando "A Brasileira" em sussurros no verso "As palavras são o meu chão". Tudo correu bem. Portugal estava a precisar deste som. Olá novos Golpes. Olá melhor banda portuguesa da actualidade.

Fotografia: Vanda Noronha

domingo, 27 de março de 2011

Coisas que me andam a abrilhantar os ouvidos ultimamente

ADELE. Nunca fui muito à bola com a Adele; tinha momentos em que aquela "Chasing Pevements" de 2008 me irritava um bocadinho, motivo pelo qual nunca me interessei pela cantora. Mas em 2011, e especialmente impulsionado pela sua actuação nos Brit Awards, fui num sentido diferente: a rapariga tem mesmo uma voz impressionante! O novo álbum 21 (2011), a suceder ao 19 (2008), tem das letras mais deprimentes dos últimos tempos, mas de uma emoção tão natural que a fez verter umas lágrimas na actuação referida acima. Desafio ao leitor: tentar respirar numa sequência "Don't You Remember" – "Lovesong" (belíssima versão dos The Cure) – "Someone Like You".

CUT COPY. Sobre os Cut Copy não há muito a dizer: são dos poucos que conseguiram pegar na temática dos '80 e atribuir-lhe alguma vida nova, não se limitando a mexer no cadáver. Neste novo álbum, Zonoscope, elevaram a fasquia e fizeram um álbum mais ambicioso, não tão agradável às massas, incluindo por exemplo uma faixa com mais de 15 minutos a fechar o álbum. Mesmo que a tarefa tivesse corrido mal, só pela faixa "Pharaos & Pyramids" já teria valido a pena ouvi-los.

DUM DUM GIRLS. Actualmente o rock já não é só para homens: Dum Dum Girls fazem envergonhar muito macho que por aí se passeia. Numa altura em que o rock atravessa uma grave crise (não é só a economia), estas meninas fazem um Ep (He Gets Me High, 2011) com garra e chama. Estas ora são guerreiras e enérgicas ("He Gets Me High") ora baladeiras e fofinhas ("Take Care of My Baby"). A fechar temos uma versão dos Smiths - "There is a Light That Never Goes Out" - e eles nunca soaram tão bem numa voz feminina.


JULIANNA BARWICK. Enya do indie rock? Uma mistura de Enya e Animal Collective? Estas são algumas das comparações que se lhe sido feitas, e que a tem feito obter algum culto nestas ultimas semanas. A originalidade da mesma assenta no facto de utilizar apenas a voz como instrumento, e, não cantada, mas sim utilizando apenas harmonias vocais. O efeito é um puro deleite de relaxamento, com camadas de harmonias a fazerem lembrar os cânticos de igreja. Se em 2009 com o seu primeiro Ep pouca gente deu por ela, agora em 2011 com o longa-duração The Magic Place já ninguém vai ficar indiferente. Ainda é possível ser-se original em 2011.

domingo, 13 de março de 2011

Geração desenrascada

Estamos a atravessar uma fase difícil, com uma grave crise financeira que teima em não ser resolvida, e perspectiva-se que perdure por mais algum tempo. Consequentemente, o investimento privado diminui, pois hoje em dia as pessoas só se metem num negócio com um mínimo de garantias que possam ser bem sucedidas; como tal, as ofertas de emprego têm vindo a diminuir e as condições de empregabilidade são cada vez mais precárias, sujeitando-se os jovens a coisas impensáveis até há um bom par de anos.
Bastou portanto um pequeno toque na ferida pelos Deolinda, e o caldo entornou: os jovens estão fartos de ser escravos desta crise financeira criada pelos chico-espertos dos especuladores e de um capitalismo desregrado. Contudo essa mesma música poderá ser, como disse em tempos Jaime Pacheco - "uma faca de dois legumes". E isto porque, apesar da ironia constante na mesma, poderá levar à interpretação de que não vale a pena estudar: e isso será o maior erro de toda esta geração. Há que apostar num formação cada vez mais especializada e dedicada.
Esta poderá ser a geração desenrascada, que oferece o corpo ao manifesto, por exemplo, para 24h de árduo trabalho para fazer uma curta-metragem  e gastar dinheiro por isso. Foi o que aconteceu neste sábado no Theatro Circo, no festival Fast Forward, e o qual tive o prazer de participar, sob o tema "FAZER DE MORTO - as notícias da minha morte foram manifestamente exageradas.", na curta que se segue:



O festival irá voltar a Portugal ainda este ano, em Outubro, em Guimarães.

terça-feira, 8 de março de 2011

O ato da escrita está prestes a mudar

A música que se segue faz parte do álbum Rock in Rio Douro (1992) dos GNR, uma das suas obras-primas, e espelha um sentimento de revolta que ainda se faz sentir desde então. Desde 1990 que se batalha contra o acordo ortográfico, e o desastre acabou por acontecer: por força de interesses políticos e económicos, vamos abrasileirar a nossa escrita. 
Mas por acaso existe algum acordo que unifique o inglês dos EUA e o de Inglaterra? Ou mesmo o espanhol de Espanha e de alguns países da América Latina? Só em Portugal é que a cultura tem um preço.



Ação ator ato
Ponta-pé traves-tu barato

Bem-me-quer o Pedralvares cordato
Que era súbito direto de fato

Ótimo ou caricato
É um acordo ou é um buraco

Quem no quer esse muro concreto
É político mas analfa beto

A corda bamba da cultura
A ponte pênsil no ar
Acorda muda de figura
..."O Petróleo não é só Jr.!!!"...
("oil ain't all, Jr!!!")
(Anónima acunpuntura)


Acorda (Rui Reininho, Toli)

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

10.0

No inicio costumava ser assim. Tudo funcionava para ser simples e directo. Depois veio o monstro da complicação e estragou tudo. Dez anos passados da obra-prima – Is This It – dos Strokes, eles voltam com aquilo que os caracterizou e catapultou para a fama: refrãos simples e directos, com instrumental sem grandes devaneios, mas que ganham vida eterna nos corações dos ouvintes. "Under Cover of Darkness" é a primeira amostra do novo álbum dos Strokes, que, ao que parece, augura algo de muito bom. Não querendo isto dizer tudo, é pelo menos um indício que as coisas estão a caminhar no bom sentido. Bem-vindos de volta.

Slip back out of whack at your best
It's a nightmare
So I'm joining the army

Know how folks back out, I still call
Will you hate for me now?

We got the rightous advice to use it
Got everything but you can just choose it
I won't tie me a puppet on a string

Don't go that way
I'll wait for you

And I'm tired of all your friends
They're still at your door
And I won't, I better call you

So long my friend and adversary
But I will call you

Get dressed jump out of bed and do it best
Are you ok?
I've been out around this town
Everybody's been singing the same song ten years

I'll wait for you
Will you wait for me too?

And they sacrifice their lives
In our land are all closed eyes
I've been saying we're beaten down, I won't say it again

Before long, my end
The sorry embrace

Don't go that way
I'll wait for you

I'm tired of all your friends
Knocking down your door
Get up in the morning, give it your all
So long my friend and adversary

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

A plataforma Bandcamp e a coça às editoras discográficas

A indústria discografia está a passar uma fase de grande mudança. Desde o lançamento do último álbum dos Radiohead, In Rainbows (2007), que muita coisa se tem passado: bandas a distribuir gratuitamente os seus discos ou também pedir que atribuam o preço desejado. Foi em resposta ao abuso das grandes editoras que apenas olham para o lucro e não têm contemplações para com a banda, bem como também ao download ilegal. 
Para ajudar à luta foi criada a plataforma Bandcamp (Setembro de 2008), que é maioritariamente frequentada por artistas desconhecidos do publico em geral. Em Julho do ano passado a plataforma ganhou alguma notoriedade aquando do anúncio por parte de Amanda Palmer, cantora das Dresden Dolls, de que iria distribuir o seu álbum novo pelo Bandcamp, fazendo a sua promoção através do twitter, desvinculando-se da editora que a representava. A decisão da artista foi impulsionada pelo facto de a editora lhe ter alterado o vídeo do single "Who Killed Amanda Palmer". O Bandcamp funciona como um espaço de registo gratuito onde os artistas podem disponibilizar a sua música no formato desejado, digital ou físico, definindo os mesmos o preço desejado pela obra (poderá ser zero), podendo também promover a opção doação, ficando ao critério dos ouvintes pagar o que quiser. Ao contrário do iTunes que fica com 30% das vendas, o Bandcamp apenas fica com 10%-15%, dependendo do número de cópias vendidas. Sufjan Stevens foi outro músico que se juntou a Amanda Palmer, e também está a ajudar a plataforma a crescer. O problema maior deste meio será a promoção do álbum, onde os artistas terão de ter um trabalho mais exigente, seja através do Twitter, Facebook, etc.
Ao que tudo indica será o Bandcamp que irá descobrir talentos, que não fosse a sua existência nunca veriam a luz do dia. Também terá o lado mau, que devido ao crescente de popularidade irá significar uma evasão ao espaço e muita banda que não merece um pingo de atenção vai aparecer e estorvar o que se faz de bom. A solução irá passar por uma triagem, feita por blogues e afins. Isto não significa o fim das editoras discográficas comuns, longe disso, mas é um pequeno abalo.

Fotografia:
 
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