quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

A plataforma Bandcamp e a coça às editoras discográficas

A indústria discografia está a passar uma fase de grande mudança. Desde o lançamento do último álbum dos Radiohead, In Rainbows (2007), que muita coisa se tem passado: bandas a distribuir gratuitamente os seus discos ou também pedir que atribuam o preço desejado. Foi em resposta ao abuso das grandes editoras que apenas olham para o lucro e não têm contemplações para com a banda, bem como também ao download ilegal. 
Para ajudar à luta foi criada a plataforma Bandcamp (Setembro de 2008), que é maioritariamente frequentada por artistas desconhecidos do publico em geral. Em Julho do ano passado a plataforma ganhou alguma notoriedade aquando do anúncio por parte de Amanda Palmer, cantora das Dresden Dolls, de que iria distribuir o seu álbum novo pelo Bandcamp, fazendo a sua promoção através do twitter, desvinculando-se da editora que a representava. A decisão da artista foi impulsionada pelo facto de a editora lhe ter alterado o vídeo do single "Who Killed Amanda Palmer". O Bandcamp funciona como um espaço de registo gratuito onde os artistas podem disponibilizar a sua música no formato desejado, digital ou físico, definindo os mesmos o preço desejado pela obra (poderá ser zero), podendo também promover a opção doação, ficando ao critério dos ouvintes pagar o que quiser. Ao contrário do iTunes que fica com 30% das vendas, o Bandcamp apenas fica com 10%-15%, dependendo do número de cópias vendidas. Sufjan Stevens foi outro músico que se juntou a Amanda Palmer, e também está a ajudar a plataforma a crescer. O problema maior deste meio será a promoção do álbum, onde os artistas terão de ter um trabalho mais exigente, seja através do Twitter, Facebook, etc.
Ao que tudo indica será o Bandcamp que irá descobrir talentos, que não fosse a sua existência nunca veriam a luz do dia. Também terá o lado mau, que devido ao crescente de popularidade irá significar uma evasão ao espaço e muita banda que não merece um pingo de atenção vai aparecer e estorvar o que se faz de bom. A solução irá passar por uma triagem, feita por blogues e afins. Isto não significa o fim das editoras discográficas comuns, longe disso, mas é um pequeno abalo.

Fotografia:
 
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